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Firjan e MPRJ dialogam sobre os impactos da segurança pública no ambiente de negócios do Rio

Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, em encontro LIDE

Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, em encontro LIDEFoto: Vinícius Magalhães | Firjan

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Publicado em 03/09/2026 10:56  -  Atualizado em  03/09/2026 17:04

O Grupo de Líderes Empresariais do Rio de Janeiro (LIDE), promoveu, nesta quarta-feira (2/9), em Copacabana, um encontro reunindo os principais representantes dos setores público e privado, empresários, advogados, legisladores e jornalistas. A pauta do encontro, “Desafios do Ministério Público na defesa da segurança pública e os reflexos na ordem econômica e financeira”, contou com a participação de Antonio José Campos Moreira, procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

Na abertura do evento, o presidente Luiz Cesio Caetano enfatizou a relevância em debater o tema por conta dos impactos da segurança pública na economia do Rio de Janeiro. Conforme apontou, dois em cada três empresários do Estado consideram a segurança pública um fator essencial para tomar decisões de investimento no território fluminense.

“A Firjan tem se dedicado exaustivamente a este tema, que é hoje a maior preocupação do industrial fluminense. Em maio, divulgamos o estudo Custo Rio, revelando os entraves estruturais que custam quase R$ 275 bilhões por ano às empresas instaladas aqui, o que representa 20% do PIB fluminense. Só o custo por conta de segurança pública e privada, que em nosso estudo chamamos de Imposto do Medo, supera os R$ 31 bilhões anuais", disse Caetano. 

Ao lado da presidente do LIDE Rio de Janeiro e integrante do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan, Andréia Repsold, Caetano também abordou outro estudo elaborado pela federação, o “Panorama de Segurança Pública no Estado do RJ 2015-2025”, com base em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

“O estudo inclui uma agenda de propostas, e uma delas é sobre o enfrentamento ao crime organizado e à sua economia. Isto exige a integração entre forças de segurança, receitas estaduais e federais e órgãos de fiscalização, com foco no fluxo financeiro que sustenta as organizações, não apenas na sua face mais visível. Para citar um dos dados mais estarrecedores, a extorsão cresceu 63% em uma década no Estado do Rio”, disse, reafirmando que a Firjan está à disposição para atuar em parceria com o governo estadual e o Ministério Público para a melhoria das condições de segurança do Estado do Rio de Janeiro.

Insegurança desequilibra a economia de mercado

O procurador-geral Antonio José Campos Moreira alertou para o avanço do crime organizado, que tomou contornos de atividade empresarial transnacional, com facções e milícias que movimentam cifras bilionárias e interferem diretamente na economia formal. “Esse dinheiro tem um enorme poder de corrupção e desequilibra completamente a ideia de uma economia de mercado”, alertou, apontando que o tráfico de drogas passou a ser “uma atividade econômica secundária” frente à exploração de serviços e à extorsão promovidas pelo domínio territorial. “Quem diz que vai acabar com o crime, é um discurso populista, é um discurso inconsequente, irresponsável, está mentindo. Não se acaba com o crime, reduz-se a criminalidade a níveis aceitáveis, a níveis toleráveis”, afirmou.

Para mitigar esses impactos e retomar a soberania do Estado, o procurador-geral destacou que o MP vem atuando com frentes de trabalho em conjunto, com diálogos constantes com o governador em exercício do estado do Rio, desembargador Ricardo Couto, e com a Secretaria da Fazenda do Estado do Rio (SEFAZ-RJ), assim como com grupos especializados em ilícitos financeiros do MP, como Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e o Grupo de Atuação Especializada de Combate à Sonegação Fiscal (GAESF).

Ao falar sobre o combate às irregularidades fiscais e empresariais, Moreira destacou os desdobramentos do caso referente ao Grupo REFIT, que foi alvo de operações que apuram fraudes no mercado de combustíveis, e as investigações do Instituto Rio Metrópole (IRM), que operava sob esquemas de corrupção.

O procurador-geral defendeu a urgência em estabelecer uma política de Estado contínua para a segurança pública, em articulação conjunta entre a União, os estados e os municípios, para que as iniciativas não sejam perdidas a cada troca de gestão. E disse que o MP está de portas abertas para manter diálogo direto com o setor produtivo. “Os salários de servidores como eu são pagos com impostos recolhidos também da atividade econômica”, observou.

Leia mais: Em Brasília, Firjan propõe estratégia de enfrentamento para combater a criminalidade e diminuir o Custo Rio

 
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