A Firjan aponta que, de janeiro de 2015 a dezembro de 2025, 56.838 pessoas foram mortas em território fluminense em decorrência de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de mortes, latrocínios e mortes por intervenções de agentes do Estado. O número supera a população de 56 dos 92 municípios do estado e é como se toda a população de uma cidade do porte de Paraty ou Guapimirim tivesse sido extinta pela violência nesse período.
As informações estão ressaltadas no “Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015 – 2025”, elaborado pela Firjan com o objetivo de entregar análise detalhada e contribuir com a elaboração de políticas públicas. Com base nos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o estudo é composto pelos indicadores de estelionato, extorsão, letalidade violenta, roubo e furto de veículos, roubo de carga e roubo de rua, crimes que afetam pessoas e empresas.
“Estamos entregando análise da última década e propondo um olhar específico para o que está acontecendo em cada região. Uma visão apenas dos dados consolidados do estado pode fazer com que as medidas de segurança pública não combatam os crimes que, de fato, estão penalizando a população e prejudicando o desenvolvimento de cada localidade”, diz o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Também de acordo com a federação, a insegurança e a ilegalidade geram custo adicional de R$ 31,1 bilhões por ano para a economia fluminense.
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Entre os crimes analisados, o de estelionato, muito ligado aos meios digitais, teve 146.981 registros no estado do Rio de Janeiro em 2025 – crescimento de 313% em relação a 2015. A capital, com 73.657 casos, e o Leste Fluminense, com 23.509, foram os locais mais prejudicados em 2025, mas todas as regiões registraram alta no período 2015-2025, com o Centro-Sul (767%), o Centro-Norte (615%) e a região Serrana (497%) com os maiores aumentos.
Com relação à extorsão, foram 3.646 casos no ano passado, com a capital e o Leste Fluminense com o maior número de registros, 1.799 e 625 ocorrências, respetivamente. O crescimento no número de ocorrências em relação a 2015 foi de 80% e o avanço também foi registrado em todas as regiões fluminenses, sendo os maiores aumentos no Centro-Sul (450%), no Norte (247%) e no Noroeste (100%).
Já as ocorrências relacionadas a roubo de rua, roubo e furto de veículos e roubo de carga, no geral, tiveram queda no estado do Rio de Janeiro no período 2015/2025, mas ainda são 102.703 - em média, 281 casos por dia.
Com base nos indicadores, a Firjan destaca a necessidade de ações de segurança pública regionalizadas. “Uma medida pode ser a criação de um fórum permanente, com a participação do setor produtivo e da sociedade civil. Esse é um caminho para que se possa planejar e monitorar políticas públicas com uma abordagem regional”, diz o gerente geral de Estudos e Estratégias da Firjan, Isaque Ouverney.
Ele também enfatiza a importância de modernização da capacidade de investigação para crimes de fraude por meios digitais, de enfrentamento ao crime organizado e a sua economia, além de ampliação da disponibilidade de dados públicos de segurança.
Acesse também os estudos “Rio de Futuro – Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro” e “Custo Rio – O Desafio da Competitividade Fluminense”:
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