Durante reunião promovida pela Firjan Norte Fluminense com empresários de Campos dos Goytacazes e Macaé, que integram o Conselho Empresarial Regional, representantes do Porto do Açu apresentaram o projeto de expansão do Hub de Hidrogênio e derivados de Baixo Carbono do complexo portuário, em São João da Barra. O encontro foi realizado a convite do presidente da Firjan Norte, Francisco Roberto de Siqueira, e reuniu lideranças empresariais para apresentação das oportunidades ligadas à transição energética e ao desenvolvimento de combustíveis de baixa emissão de carbono.
De acordo com Francisco Roberto, o desenvolvimento de projetos no Porto do Açu é estratégico para o crescimento regional e para o fortalecimento do ambiente de negócios no Norte Fluminense. “O Porto do Açu é um atrativo para a instalação de novas unidades industriais e um impulsionador para o desenvolvimento das empresas que já estão na região. Acompanhar a expansão deste projeto tão importante para o país é, também, uma possibilidade de melhorar o ambiente de negócios e proporcionar novas oportunidades para as empresas da região”, destacou.
O especialista em meio ambiente do Porto do Açu, Lucas Lima, detalhou as etapas de desenvolvimento do negócio para a ampliação do Hub, que já possui Licença Prévia emitida desde janeiro de 2024 e conta atualmente com 100% da área ocupada por projetos em desenvolvimento. Também participaram da reunião o responsável por licenciamento ambiental, Tomaz Brenate, e o gerente de sustentabilidade do Porto do Açu, Wanderson Sousa, conselheiro na Firjan Norte.
Atualmente, o Hub de Hidrogênio contempla uma área total de 102,3 hectares e capacidade de eletrólise de 3,7 GW, reunindo projetos voltados para produção de combustível sustentável de aviação (ATJ e e-SAF), e-metanol, amônia de baixa emissão de carbono, hidrogênio renovável e diesel renovável ou sintético.
Segundo os representantes do Porto, estudos de mercado estão em curso para avaliar cenários de desenvolvimento de projetos de combustíveis de baixa emissão de carbono no Açu, além de análises sobre legislação, tendências de mercado, rotas tecnológicas, inovações do setor e cenários de produção.
A proposta de expansão do Hub prevê a incorporação de novos produtos, rotas tecnológicas e capacidades produtivas, com ampliação de mais de 6 milhões de metros quadrados e aumento do volume total em mais de 3 mil quilotoneladas por ano. O projeto será implantado de forma faseada no Distrito Industrial de São João da Barra, com integração às demais indústrias e terminais do complexo portuário.
Entre os destaques da expansão estão o aumento da capacidade produtiva de hidrogênio renovável em mais de 400 kt/ano e de metanol sintético em mais de 1 milhão de toneladas por ano. Também estão previstos novos produtos e rotas tecnológicas voltados à produção de combustível sustentável de aviação (SAF), e-diesel, diesel renovável, biodiesel e soluções ligadas à captura de CO2.
O projeto contará ainda com infraestrutura de suporte, como conexão de energia elétrica, abastecimento de água industrial, de reuso e salina, além de dutos e conexões rodoviárias.
De acordo com o empresário Leonardo Abreu, o avanço de projetos estruturantes no Porto do Açu representa uma oportunidade estratégica para geração de negócios. “E tendo acesso a estes projetos, podemos nos preparar para viabilizar novos contratos de fornecimento com o Porto do Açu”, afirmou.
Royalties também em pauta
Ainda na reunião que detalhou o projeto de expansão do Hub de Hidrogênio no Porto do Açu, os empresários tiveram a oportunidade de debater sobre a os impactos e riscos de uma redistribuição dos royalties de petróleo. Responsável por grande parte da produção nacional, o Norte Fluminense tem importância estratégica para a indústria de petróleo e gás no Brasil por concentrar operações offshore na Bacia de Campos.
Conforme análise da Firjan, com base nos números de 2025, o estado do Rio de Janeiro contribuiu com cerca de R$ 64 bilhões em ICMS pagos a outros estados do país, ao longo do ano passado.
Para os empresários, a gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESI, Karine Fragoso, apresentou atualizações sobre o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da ADI 4917 sobre a redistribuição dos royalties do petróleo que, com o pedido de vista do ministro Flávio Dino teve o julgamento postergado e reforçou o posicionamento da federação em relação à necessidade de uma solução definitiva para o tema. “A manutenção da indefinição prolonga um ambiente de insegurança jurídica para o estado do Rio de Janeiro, os municípios, a indústria e toda a cadeia produtiva de petróleo e gás”, afirmou.