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Sindijoias promove evento sobre inteligência artificial no setor

Angela Andrade, diretora-executiva do Sindijoias

Angela Andrade, diretora-executiva do SindijoiasFoto: Vinicius Magalhães

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Publicado em 01/07/2026 10:59  -  Atualizado em  01/07/2026 11:59

O XIII Seminário de Atualização Tecnológica do Setor de Joias e Bijuterias reuniu, em 26/6, estudantes, profissionais, empresários e especialistas com o objetivo de discutir o cenário atual do setor. Além disso, abordou o uso de tecnologias, a inovação na prática e as tendências na cadeia produtiva, promovendo a troca de ideias e o networking para fortalecer o segmento. O evento foi promovido pelo Sindicato das Indústrias da Joalheria e Lapidação de Pedras Preciosas do Estado do Rio de Janeiro (Sindijoias) na Casa Firjan – hub de inovação e tendências da federação, localizado em Botafogo, Zona Sul da cidade.

O evento contou, também, com a premiação do “Concurso de Design de Joias e Bijuterias Jo.IA.s do Futuro – edição 2026”, iniciativa que estimula os participantes a usarem a inteligência artificial (IA) de forma inovadora em suas criações. Vale destacar que a competição, dividida em duas categorias (joias e bijuterias), é a primeira na América Latina a integrar a IA ao setor, sendo apontada como a segunda em âmbito internacional.

Na categoria joias, a grande vencedora foi Maria Clara de Oliveira Maris, enquanto Valéria Milena Nunes da Costa levou para casa o troféu na categoria bijuteria. Além de certificados e troféus, as premiadas receberam R$ 1,5 mil em gemas naturais certificadas pelo Laboratório Gemológico da Associação dos Joalheiros e Relojoeiros do Estado do Rio de Janeiro (Ajorio). 

Além disso, os troféus, confeccionados pelo Centro de Referência em Joalheria da Firjan SENAI Maracanã, fazem parte de um projeto que integra diversas tecnologias. Entre elas, estão a criação assistida por IA do elemento em hélice, a prototipagem em cera das peças, a fundição em bronze, a gravação e o corte a laser das placas. Além disso, há a elaboração das bases de madeira no FabLab e o banho de ouro nos elementos metálicos.

A abertura do seminário, que teve apoio da Firjan, foi feita pela diretora-executiva do Sindijoias, Angela Andrade. A executiva enfatizou os 60 anos de trajetória da Ajorio, marcados pela busca constante em apoiar os associados ao promover debates sobre as diretrizes e transformações da cadeia produtiva. E, nesta edição, o tema Inteligência Artificial foi o foco.

“Talvez nunca tenhamos vivido um momento de transformação tão acelerado quanto o atual. Essa frase virou clichê, ouvimos com frequência. Mas basta olhar ao nosso redor para perceber que ela nunca fez tanto sentido. Tecnologias que pareciam distantes da nossa realidade já estão impactando a forma como extraímos matérias-primas, beneficiamos as gemas, produzimos joias, nos relacionamos com os consumidores e conduzimos os nossos negócios”, disse Angela.

Confira abaixo a íntegra do evento:

Debates, tendências e novos rumos para o setor

Ao longo da tarde, foram realizados três painéis, que percorreram temas envolvendo a cadeia de valor da joia, tendo, na maioria deles, a automação dos processos como norte. São eles: mineração, sustentabilidade, inovação, tendências, aplicação da tecnologia na prática e legislação.

No primeiro painel, “Antes da joia: inovações e sustentabilidade na mineração”, Écio Moraes, diretor do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), comentou sobre questões legais e jurídicas que o segmento enfrenta, afirmando a necessidade urgente de uma reforma tributária e da desburocratização para combater a informalidade.

O tema sustentabilidade também foi destaque com a pesquisadora da Embrapa Florestas, Marina Morales, detalhando os estudos que vêm sendo feitos para usar a folha do pau-de-balsa, de uma árvore nativa da Amazônia, como alternativa ao mercúrio na atividade extrativista. O extrato dessa árvore pode substituir o uso do mercúrio no garimpo, tornando a atividade mais segura para os trabalhadores e menos agressiva ao meio ambiente. 

Completou o painel o Midierson Maia, empreendedor e fundador da Preemptor AI Canada, que exemplos em que a tecnologia contribuiu não somente para otimizar os processos, mas igualmente para promover segurança nas atividades por meio da automação. Um exemplo mencionado foi indicar antecipadamente se os trabalhadores correm risco pelo mau funcionamento de uma máquina operacional.

No segundo, com o tema “Mercado em movimento: o que as tendências e os números nos dizem?”, o foco foi mostrar quais são as tendências diante do avanço tecnológico, o comportamento do consumidor e os mercados para que os negócios se mantenham atualizados e tracem suas estratégias. Nathalia Coelho, pesquisadora do Laboratório de Tendências da Firjan IEL, apresentou um estudo recente para mostrar os impactos da IA no cotidiano das empresas.

Samantha Sales, especialista em Pesquisa e Estatística da Firjan, apresentou outro estudo que traz a opinião de consumidores, varejistas e empresários sobre a quilatagem do ouro (10K, 14K e 18K). O objetivo é conhecer o mercado de ouro no estado do Rio de Janeiro e entender as barreiras e oportunidades para a expansão do mercado. 

O terceiro e último painel, “Entre o código e o brilho: a nova era da joalheria robótica”, contou com as participações de Eliana Andrello, especialista do Centro de Referência em Joalheria da Firjan SENAIRonaldo Barbosa, arquiteto e designer, e Raquel Lobão, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Eliana Andrello abordou a robótica na produção joalheira como uma automação inteligente que amplia a produtividade, a precisão e a qualidade na fabricação de joias. “Quando falamos de joia, falamos de imaginário, de referências e de lembranças. A tendência é não visualizar o tanto de tecnologia, de insumos, de mão de obra especializada, de tudo o que está envolvido na construção dessas peças usando tecnologia. Não há volta”, disse.

Ronaldo Barbosa focou em como a inteligência artificial pode ser aplicada ao design, acelerando a criação e a transformação de ideias em protótipos com maior agilidade e precisão. Ele exemplificou como desenvolveu um pingente de Iemanjá utilizando diversos recursos por meio das IAs. “Da mensagem de WhatsApp até a malha 3D pronta para o processo de fundição, a IA não substitui a bancada, mas atua como uma extensão do designer”, salientou.

Raquel Lobão apresentou um panorama das principais inteligências artificiais e suas aplicações práticas para impulsionar a inovação, a criatividade, a gestão e a eficiência nos negócios. “Primeiro, identifique sua dor. Não fique tentando resolver vários problemas ao mesmo tempo. Para quem está começando, especialmente se for um pequeno negócio, o ideal é usar uma ferramenta por vez”, recomendou.

 
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