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RIW 2026: executivas debatem liderança feminina e diversidade na indústria

Foto: Vinícius Magalhães

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Publicado em 12/08/2026 19:14  -  Atualizado em  12/08/2026 20:16

O painel dedicado a discutir a presença feminina e a diversidade como diferencial estratégico para a competitividade das organizações no setor produtivo foi o tema de mais um dos debates promovidos pela Firjan no Rio Innovation Week 2026 (RIW), no Píer Mauá.

O encontro reuniu representantes da federação, Carla Pinheiro, diretora da instituição e presidente do Conselho Empresarial de Mulheres; Claudia Guimarães, presidente do Conselho ESG; e Eliane Damasceno, gerente de Responsabilidade Social. A mediação foi de Luana Fernandes, assessora do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan. Na ocasião, foram apresentadas análises sobre a temática, tendo como norte a Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense, elaborada pela própria federação.

A participação da federação no RIW reforça seu compromisso com a indústria fluminense por meio de uma agenda que integra inclusão, diversidade, inovação, desenvolvimento econômico, competitividade e formação de talentos. Os painéis realizados ao longo do evento trouxeram reflexões e soluções capazes de impulsionar a produtividade e preparar o estado do Rio para os desafios do presente e do futuro.

O painel mostrou que a diversidade vem se consolidando cada vez mais como pauta estratégica das organizações, promovendo capacidade de inovação e resultados positivos. Luana apresentou dados do estudo da Firjan, como o que revela que mais de 70% das empresas multinacionais estão avançando em suas políticas de diversidade. Em contraponto, no cenário nacional, a realidade é outra: o índice é de 37%. Além disso, o estudo indica que, embora nos últimos cinco anos tenha havido um aumento de 70% na inserção feminina na indústria, as mulheres ainda representam 22% da força de trabalho do setor. Desses 22%, 54% atuam em funções administrativas e apenas 14% em funções de inovação e liderança.

Sobre este cenário, Carla convidou a todos a refletir sobre os números, reforçando que o desafio de mudar essa realidade é de todos, homens, mulheres e jovens que ainda vêm de uma cultura na qual algumas profissões eram dominadas por homens. “Cabe a nós, a essa geração multigeracional aqui presente, quebrar esses paradigmas. E pergunto: o que a indústria pode fazer para não desperdiçar mais de 50% do potencial criativo e inovador da nossa sociedade, que são as mulheres, quando falamos nesse recorte de gênero? Já melhoramos muito, mas ainda há muito a ser feito. Como devemos agir para que a indústria inverta essa lógica?”, provocou.

Carla destacou que há três pontos básicos para esta transformação: inspiração, infraestrutura e liderança. “Quando se fala de inspiração, é ter mais mulheres ocupando espaços. Que as nossas meninas consigam se enxergar em locais que até então diziam não ser para elas. Estamos falando em recorte de gênero aqui, incentivando as mulheres a buscarem essas profissões”, disse, citando a Firjan, que promove com parceiros o projeto Elas na Indústria.

Em relação ao pilar estrutural, a diretora da Firjan e presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da federação reforçou a importância de um ambiente minimamente projetado para receber mulheres, como a presença de banheiro feminino no chão de fábrica. Sobre liderança, Carla voltou a enfatizar que meninas e mulheres devem investir em suas carreiras, acreditando que um cargo de gerência também é feito para elas.

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Painel dedicado a discutir a presença feminina e a diversidade como diferencial estratégico para a competitividadeno RIW 2026.      Foto: Vinícius Magalhães

Estratégia, governança e resultado

Claudia Guimarães (que também é engenheira, assim como Carla) enfatizou a urgência de integrar as dimensões ambiental, social e de governança em um único eixo nas corporações. “A diversidade não é uma pauta de RH, ela é uma pauta de estratégia, de governança, de reputação e, sim, de resultado. A inovação depende da diversidade para acontecer; ela não ocorre em um ambiente homogêneo”, disse.

A executiva também apontou a importância de, neste processo, compreender a diferença entre alta performance e alto desempenho. Claudia explicou que a alta performance tem um viés individualista, enquanto o alto desempenho é mais eficiente para alcançar resultados, porque considera a diversidade, as experiências e as origens de cada pessoa. E, neste caso, entra a importância da inclusão feminina nas indústrias.

“A empresa que pretende ter sustentabilidade econômica, financeira e perenidade precisa entender que a diversidade é um fator de futuro corporativo. Precisa entender que a diversidade busca justamente resultados diferentes, inovando em um contexto muito complexo. Quando se colocam pessoas que pensam da mesma forma numa sala para discutir, os resultados não serão muito diferentes do que temos visto hoje em dia. É uma questão de estratégia, de resultado financeiro e de inovação”, comentou.

Eliane Damasceno destacou que a jornada da empregabilidade e da equidade feminina não começa no momento da contratação, mas no desenvolvimento de competências técnicas e socioemocionais (soft skills) desde a infância. Ela apontou que os projetos de investimento social corporativo são estratégicos para garantir a licença social das empresas e, assim, gerar impacto positivo no território por meio do fortalecimento do ciclo educacional, da criação de espaços seguros e da retenção de talentos. Eliane também ressaltou o programa Escritório de Carreira como uma importante estratégia para conectar talentos às oportunidades do mercado.

Luana Fernandes enfatizou práticas para ampliar a representatividade feminina em áreas como produção e tecnologia, sobre a importância da transformação da cultura organizacional para avançar na pauta de diversidade além do impacto do pilar social e da “economia do cuidado” na atração e retenção de novos talentos no mercado.

 
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