
Iniciativa 1P=5P da Reserva, combate à insegurança alimentarFoto: Arquivo Reserva
Como uma empresa de moda pode se conectar com a urgência da fome? A partir dessa inquietação nasceu o Projeto 1P=5P (1 peça = 5 pratos), da empresa Reserva. Criada em 2016, a iniciativa foi a vencedora do Prêmio Firjan de Sustentabilidade 2025 na categoria Gestão de Impacto e Investimento Social.
O projeto se consolida como um modelo de impacto tangível: a cada peça vendida nas marcas Reserva, Reserva Mini e Reserva Go, cinco pratos de comida são complementados para pessoas em insegurança alimentar no Brasil. A ação já resultou na complementação de mais de 175 milhões de refeições, beneficiando mais de 1 milhão de pessoas.
A federação recebe inscrições de projetos até o próximo dia 2/6 para a edição de 2026 do Prêmio Firjan de Sustentabilidade.
Clique aqui e inscreva-SE
A ideia do projeto ganhou corpo durante uma visita de líderes ao Ceará, em 2016, conta o coordenador de Sustentabilidade da Reserva, Alan Abreu. Naquele momento de escuta, ficou claro para as lideranças que o acesso à alimentação digna deveria ser prioridade. Para Abreu, o modelo traduz o papel ativo da companhia como agente de transformação. “A construção do projeto partiu de um princípio simples: usar a força do próprio negócio para gerar impacto”, explica.
O 1P=5P não é visto pela empresa como uma ação filantrópica pontual, mas como um modelo integrado à operação. “Isso reforça o entendimento de que as empresas têm corresponsabilidade em relação aos problemas estruturais do país. No nosso caso, isso significa assumir um papel ativo no combate à fome, mesmo sendo uma marca de moda”, afirma Alan.
Para Eliane Damasceno, gerente de Responsabilidade Social da Firjan SESI, o prêmio, ao mesmo tempo que reconhece as iniciativas das empresas, apresenta à sociedade exemplos que possam ser multiplicados. No caso da Reserva, trata-se de uma estratégia de engajamento, relacionada ao marketing de causa, unindo investimento social e sustentabilidade.
“O projeto da Reserva trabalha a conexão do comprador com causas importantes, como o combate ao desperdício de alimentos. Aborda educação alimentar e desigualdade social, trazendo luz e atenção da sociedade para essas questões. Além disso, o projeto também está conectado com a questão do impacto que os resíduos, de uma forma geral, e alimentos em específico, trazem ao meio ambiente. Acho excelente o fato de a empresa ter colocado a marca a serviço de uma causa tão importante como essa”, explicou.
A Firjan SESI também atua nessa frente de combate à insegurança alimentar. Eliane Damasceno destaca uma das ações da entidade, o Programa Cozinha Brasil, que oferece cursos que ensinam o preparo de alimentos saborosos e nutritivos a baixo custo. “A iniciativa respeita as diferenças regionais e de estações para combater o desperdício de alimentos e fazer dele uma ferramenta de educação e saúde integral”, relata.
Governança e capilaridade
A operacionalização do projeto foi pensada para garantir agilidade e escala, evitando a necessidade de criar uma logística própria. “Um fator-chave foi não começar do zero. Desde o início, estruturamos o projeto em parceria com a ONG Banco de Alimentos e, posteriormente, com a foodtech Connecting Food, que já possuíam expertise logística e capilaridade na coleta e distribuição de alimentos. Isso permitiu uma implementação relativamente ágil, com forte investimento em governança, contratos, auditorias e acompanhamento contínuo dos resultados”, explica.
Abreu ressalta o papel dos parceiros e conta que a operação envolve desde equipes logísticas, responsáveis pela chamada ‘colheita urbana’, que coletam alimentos onde há excedentes e distribuem em instituições sociais, até nutricionistas que capacitam as instituições sobre aproveitamento integral dos alimentos e boas práticas no preparo das refeições.
Internamente, o projeto é liderado pelo time de Sustentabilidade, com participação direta da alta liderança e apoio de áreas como Marketing, Felicidade (endomarketing) e Desenvolvimento Humano, que atuam na comunicação e formação dos colaboradores. Segundo Abreu, a sensibilização ocorre de forma contínua: no onboarding de novos colaboradores, nas comunicações internas, nas lojas, nas embalagens dos produtos e também nas campanhas e ativações com clientes.
Impacto sistêmico e inspiração
Além de combater a fome, a iniciativa também tem como resultados a redução do desperdício de comida e a mitigação de impactos ambientais, já que evita o descarte desses alimentos em aterros sanitários.
“Existe uma ambição clara de que o projeto ultrapasse os limites da Reserva. Mais do que um programa, o 1P=5P vem se consolidando como um modelo aberto, que busca inspirar outras empresas a fazerem o mesmo, ampliando, de forma coletiva, o impacto positivo na sociedade”, destaca o executivo.
Um dos efeitos mais emblemáticos da iniciativa, ao longo de quase 10 anos, é o impacto indireto. Segundo o coordenador de Sustentabilidade da Reserva, muitas instituições sociais relatam que, ao reduzir o custo com alimentação, conseguem redirecionar recursos para outras frentes, como compra de medicamentos, melhoria de infraestrutura ou investimento em educação e cultura.
“Outro ponto relevante é a atuação em momentos de emergência, como nas enchentes do Rio Grande do Sul e em desastres em Petrópolis e no litoral norte de São Paulo. Nessas situações, o 1P=5P foi mobilizado para além da lógica regular, viabilizando apoio emergencial com alimentos e outros itens essenciais. Mais recentemente, também começamos a ver um efeito de replicabilidade. Outras empresas passaram a criar seus próprios programas de responsabilidade social inspirados no 1P=5P, o que reforça a ideia de que o impacto pode e deve ser coletivo”, exemplifica.
Leia também: Merck economiza 90 milhões de litros de água com práticas de reúso