A Firjan ressalta que o resultado da produção industrial, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforça a perda de dinamismo do setor. Em junho, foi registrada queda de 1,8% em relação a maio - na série com ajuste sazonal -, com resultado negativo em 15 dos 24 ramos pesquisados. Já no primeiro semestre, a indústria acumula alta de 1,5%, mas o crescimento permanece concentrado em poucos segmentos. A indústria extrativa avançou 7,4% no ano, enquanto a indústria de transformação cresceu apenas 0,4% no acumulado do período.
Esse resultado, segundo a Firjan, é reflexo direto das expectativas empresariais. A confiança dos industriais permanece em patamar pessimista desde o início de 2025, sinalizando um ambiente adverso às decisões de produção e investimento. Enquanto o cenário externo impõe cautela devido às incertezas geopolíticas e comerciais, no ambiente doméstico, o elevado patamar da taxa de juros limita qualquer possibilidade de expansão do setor industrial.
Nesse contexto, a Firjan reforça que a retomada da indústria brasileira exige a construção urgente de um ambiente macroeconômico favorável ao investimento. O avanço das reformas estruturais para a redução dos custos sistêmicos, somado ao alívio na taxa de juros, é vetor indispensável para conter o processo de perda de competitividade do setor. Para tanto, a responsabilidade fiscal figura como primeiro passo incontornável. A ausência de uma política fiscal crível perpetua o patamar elevado dos juros, encarece o crédito e inibe o desenvolvimento produtivo de longo prazo.