
Nesta primeira etapa, foram liberados quatro quilômetros da nova pista de subida no sentido São PauloFoto: Divulgação
A entrega da primeira etapa da nova Serra das Araras (BR-116 Sul), nesta terça-feira (23/6), representa um avanço significativo em um pleito histórico da Firjan. Inaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro dos Transportes, George Santoro, o empreendimento é considerado fundamental para ampliar a segurança dos usuários, reduzir gargalos logísticos e aumentar a competitividade da indústria ao longo da principal conexão rodoviária entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
A modernização da Serra das Araras é defendida há anos pela Firjan como uma das obras de infraestrutura mais importantes para o desenvolvimento econômico do estado do Rio de Janeiro e do país. O trecho integra um dos principais corredores logísticos nacionais, pela Via Dutra circula aproximadamente metade do PIB brasileiro, responsável pelo transporte de 390 mil veículos por mês, dos quais 36% são de carga.
A federação acompanha a pauta há mais de uma década, participando de discussões técnicas e defendendo a necessidade de investimentos capazes de ampliar a capacidade da rodovia, reduzir o tempo de deslocamento e aumentar a segurança dos motoristas. Em abril de 2024, a Firjan esteve presente na assinatura da ordem de serviço que marcou o início das obras da Nova Serra das Araras.
Nesta primeira etapa, foram liberados quatro quilômetros da nova pista de subida no sentido São Paulo, com quatro faixas de rolamento, acostamento, iluminação em LED em todo o trecho, oito novos viadutos e 14 estruturas de contenção. A mudança na geometria do traçado já tem efeito direto na segurança: com a eliminação das curvas mais críticas, sete delas suprimidas só nesta entrega, a velocidade operacional passa de 40 km/h para até 80 km/h.
A urgência da intervenção é explicada pela história do trecho: o traçado original da Serra data de 1928 e nunca foi concebido para absorver o volume de cargas e veículos pesados de hoje. Curvas sinuosas, velocidade máxima limitada a 40 km/h e ausência de acostamento tornavam o trecho um dos mais perigosos e imprevisíveis da rodovia, com reflexos diretos na logística nacional. A "descida íngreme e sinuosa", nas palavras do próprio Ministério dos Transportes, era "cenário frequente de acidentes, o que gerava atrasos e transtornos para os cidadãos do país".
Com a obra atingindo 70% de execução, quando concluído o projeto contará com oito faixas de rolamento, 24 viadutos, três passarelas e duas rampas de escape, com previsão de reduzir em 25% o tempo de percurso na subida e em até 50% na descida. O investimento total é de R$ 1,5 bilhão, com aporte de R$ 10,7 bilhões do BNDES para as obras em toda a concessão da Via Dutra.
Além dos impactos na logística e na mobilidade, o empreendimento também gera oportunidades para a qualificação profissional. Em parceria com a concessionária RioSP, a Firjan SENAI participou da implantação do Canteiro-Escola da Serra das Araras, iniciativa voltada à capacitação de trabalhadores para atuar nas obras de infraestrutura e construção pesada, contribuindo para a formação de mão de obra especializada na região.
Para a Firjan, o avanço das obras reforça a importância de investimentos contínuos em infraestrutura como instrumento para aumentar a competitividade da indústria, impulsionar o desenvolvimento regional e fortalecer a integração logística nacional.