A Firjan avalia que o crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026, frente ao trimestre anterior na série com ajuste sazonal, reflete a resiliência do consumo das famílias — favorecido pelo mercado de trabalho ainda aquecido e pelas medidas públicas de estímulo à demanda — além dos efeitos indiretos do cenário internacional, especialmente a valorização das commodities em meio às tensões geopolíticas globais.
Nesse contexto, a Firjan destaca que o crescimento da economia brasileira permanece historicamente concentrado em setores ligados à produção de commodities e sustentado por estímulos ao consumo. Em contraste, a indústria de transformação segue demonstrando fragilidade estrutural e permanece como o único grande setor da economia ainda distante do seu auge, operando cerca de 16% abaixo do nível máximo registrado em 2008.
A federação pondera que esse resultado também evidencia o desalinhamento entre a política monetária e a política fiscal no país. Ao mesmo tempo em que medidas de estímulo à demanda sustentam a atividade no curto prazo, a manutenção da taxa Selic em 14,5% ao ano prolonga o elevado custo do crédito e penaliza diretamente o setor produtivo. Esse ambiente ajuda a explicar a baixa taxa de investimento do Brasil, atualmente em 16,5% do PIB — abaixo da média da América Latina (19,4%), da média mundial (25,9%) e muito distante das economias emergentes asiáticas (37,3%), que utilizam o investimento robusto como motor de produtividade e avanço tecnológico. Soma-se a isso o aumento dos custos de produção decorrente dos efeitos colaterais da guerra, como energia mais cara, fretes pressionados e encarecimento de insumos estratégicos, incluindo fertilizantes.
“O resultado do PIB mostra uma economia ainda sustentada por estímulos de curto prazo e pelo ciclo favorável das commodities, mas sem avanço consistente da capacidade produtiva nacional. O cenário com juros extremamente elevados reduz a competitividade da indústria, desestimula investimentos e amplia o custo estrutural de produzir no Brasil”, afirma o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
Diante disso, a Firjan reforça que o Brasil precisa enfrentar seus custos estruturais para ampliar sua capacidade de crescimento. Sem credibilidade fiscal, previsibilidade institucional e redução consistente do custo de capital, o país continuará dependente de estímulos conjunturais e vulnerável a choques externos. O custo estrutural não pode ser tratado como um destino inevitável — precisa se transformar em agenda nacional.