O Brasil acaba de dar um passo importante rumo à economia de baixo carbono. Pesquisadores do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras (ISI B&F), da Firjan SENAI SESI Parque Tecnológico, desenvolveram um processo inovador que pode ampliar significativamente a oferta de combustíveis renováveis e menos poluentes para o setor energético, incluindo o automotivo e a aviação. Além da produção de combustíveis como diesel, gasolina e querosene verdes, o projeto também gera uma cera de alta pureza – um subproduto com grande potencial de aplicação na indústria cosmética.
Batizado de CO2CHEM, o projeto é o primeiro do tipo no país e tem como objetivo desenvolver rotas químicas sustentáveis para a conversão de dióxido de carbono (CO2) em hidrocarbonetos sintéticos de alto valor agregado. Utilizando CO2 e água como matérias-primas, o processo promove a síntese de combustíveis renováveis por meio da eletrólise da água – que gera hidrogênio – e da conversão química do CO2. Toda a cadeia pode ser alimentada por fontes de energia renovável, garantindo um ciclo fechado de carbono com viabilidade técnica, econômica e ambiental.
“O projeto trouxe contribuições significativas para o setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis, com destaque para a principal inovação: o desenvolvimento de uma rota integrada e sustentável que utiliza CO2 como insumo para produção de combustíveis sintéticos em escala de demonstração. Essa tecnologia atende diretamente às demandas globais por processos de descarbonização, transformando emissões em produtos valiosos”, afirma Leandro Novaes, da Firjan SENAI, um dos pesquisadores líderes do Projeto CO2CHEM.
A iniciativa foi desenvolvida para a Repsol Sinopec Brasil, dentro da linha de Pesquisa & Desenvolvimento em Gestão de Carbono da empresa. Com investimento de R$ 20 milhões, a planta piloto tem capacidade de consumir até uma tonelada de CO2 por dia e produzir 20 litros de combustíveis renováveis, representando um avanço expressivo na transição energética. Esta é a primeira iniciativa do tipo em todo o Grupo Repsol.
O projeto foi viabilizado por meio da cláusula de PD&I da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Além do ISI B&F, que atuou na modelagem da planta, análises econômicas e ensaios laboratoriais, o projeto reúne a Hytron (Grupo Neuman & Esser), responsável pelo desenvolvimento e testes da planta piloto, e a Universidade de São Paulo (USP), por meio do Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), que contribuiu com suporte laboratorial especializado.
“O projeto CO2CHEM é um marco para a inovação sustentável no Brasil. Na Firjan SENAI SESI, temos orgulho em colaborar com o desenvolvimento de tecnologias que promovem a descarbonização e a soberania tecnológica. Nossa equipe esteve à frente do desenvolvimento e avaliação dos catalisadores, ferramentas para análise técnico-econômica e ambiental, além da construção de gêmeos digitais para otimização do processo. Estamos comprometidos em oferecer soluções que respondam aos desafios climáticos e industriais do país”, destaca Leandro Novaes.
Os próximos passos do projeto incluem a realização de testes de eficiência dos combustíveis produzidos em motores reais, além de estudos de escalabilidade da planta e aprofundamento da análise de viabilidade em escala comercial. Os resultados obtidos até agora posicionam o Brasil na vanguarda do desenvolvimento de soluções sustentáveis para o setor energético.