
Mulheres representam 22,3% da força de trabalho na Indústria fluminense.Foto: Paula Johas / Firjan
Empresas mais diversas tendem a tomar decisões mais qualificadas e a responder melhor às transformações do mercado. Com foco nessa premissa, a Firjan investigou as desigualdades e os avanços do setor para criar a primeira Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense, um diagnóstico essencial para identificar oportunidades de evolução no cenário estadual. A coleta de dados para o estudo foi realizada, entre 6/5 e 7/7/2025, com 130 empresas do estado do Rio de Janeiro.
Acesse a pesquisa no Observatório Firjan
Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, destacou que a transformação já chegou e que é contínua e irreversível. “Caminhos que fortalecem a diversidade nas empresas necessitam ser pavimentados e orientados por meio de profundo engajamento da alta liderança e forte cultura organizacional. A publicação traz cases de sucesso, demonstrando o que o setor já realiza em prol da diversidade nos negócios”, afirma o presidente.
Caminhos que fortalecem a diversidade nas empresas necessitam ser pavimentados e orientados por meio de profundo engajamento da alta liderança e forte cultura organizacional. Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan.
O presidente da Firjan explica que a pesquisa não apresenta soluções prontas. Para a federação, a construção conjunta, o compartilhamento de aprendizados, as parcerias e o engajamento contínuo são peças-chave para caminhos possíveis com foco em maior equidade e inclusão no setor industrial. Caetano deseja que a publicação estimule o avanço em prol da equidade, diversidade e inclusão nas indústrias, alinhada aos princípios ESG.
O estudo identificou que o número de mulheres na indústria fluminense cresceu 70% desde 2020, um avanço superior ao observado entre os homens (+34%), de acordo com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Carla Pinheiro, diretora da Firjan, salienta que “dados concretos nos possibilitam conhecer o cenário no qual estamos inseridos, auxiliam na construção de ações mais precisas e efetivas e apontam para oportunidades de avanços e de fortalecimento dos negócios”.
A também presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan lembra que, apesar dos desafios, que vão desde barreiras culturais e vieses organizacionais a necessidade de promoção de políticas de equidade, atuar em prol da diversidade gera impactos positivos na produtividade, na inovação, na competitividade e na sustentabilidade dos negócios.
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| Carla Pinheiro, durante seminário Elas Constroem o Amanhã, realizado na última sexta-feira, 6/3. Foto: Paula Johas | Firjan. |
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Apesar de a participação das mulheres na indústria do estado ter atingido seu maior nível histórico, ela ainda é a menor se comparada com outros setores econômicos. A Indústria tem apenas 22,3% da força de trabalho do Rio de Janeiro, enquanto os homens correspondem a 77,7% da ocupação. É o segundo setor com maior desigualdade de gênero no estado.
(...) dados concretos nos possibilitam conhecer o cenário no qual estamos inseridos, auxiliam na construção de ações mais precisas e efetivas e apontam para oportunidades de avanços e de fortalecimento dos negócios. Carla Pinheiro, diretora da Firjan e presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da federação.
Esta e outras análises compõem essa pesquisa inédita, que, segundo Jorge Peron Mendes, gerente de Sustentabilidade da Firjan, traz uma fotografia fiel e atualizada sobre a realidade da diversidade na Indústria fluminense.
“As melhores práticas de governança corporativa ao redor do mundo comprovam que a diversidade é um elemento formador da cultura das organizações empresariais e que contribui com os resultados operacionais. Para isso, as estratégias empresariais de diversidade partem de um diagnóstico estruturado”, complementa Peron.
O estudo focou em três princípios: panorama da inserção de trabalhadores e trabalhadoras na indústria; percepções e práticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) adotadas pelas empresas; e cases de boas práticas DEI das empresas com foco em gênero.
Em relação ao tópico liderança feminina por divisão ocupacional, em um recorte nacional, o estudo mostra que as mulheres são maioria nas lideranças de ocupações relacionadas a cuidado, educação e recursos humanos.
Na seção sobre Distribuição dos Cargos de Liderança na Indústria Brasileira por Raça e Sexo, informa-se que homens brancos predominam nos cargos de liderança da Indústria brasileira, de acordo com dados do Pnad. Entre 2023 e 2025, na Indústria nacional, os cargos de liderança foram ocupados majoritariamente por homens brancos (51,3%). Homens negros e mulheres brancas apresentaram participações próximas, de 20,4% e 19,8%, enquanto mulheres negras são sub-representadas, com apenas 7,4%.
Leia na Carta da Indústria: Mulheres vencedoras que fazem a diferença
Empresas preferem flexibilidade
No tópico que trata da Implementação de Programas de Diversidade, Equidade e Inclusão, 70,4% das empresas multinacionais apresentam nível avançado ou muito avançado e 24,3% das empresas nacionais alcançam esse mesmo patamar. Já empresas de micro e pequeno porte, especialmente as de capital nacional, revelam necessidade de avanço no tema, uma vez que 17,7% não iniciaram ações voltadas à diversidade e inclusão.
As práticas adotadas em programas de DEI mais citadas pelas empresas são a flexibilidade no trabalho (51%) e as políticas de diversidade no recrutamento de cargos não gerenciais (47%).
Casos de sucesso
Entre os casos citados no documento, estão: Programa Autonomia e Renda, iniciativa da Petrobras, que visa promover a autonomia econômica e a geração de renda para grupos minoritários, por meio de qualificação profissional para o setor de Óleo e Gás; a da Enel Distribuição Rio, que criou a Escola de Mulheres Eletricistas e formou 46 mulheres 2025, das quais 78% foram contratadas pela própria empresa; e a da Firjan IEL, em parceria com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), que desenvolveram o programa Gestão e Governança Corporativa Feminina, com o objetivo de fortalecer a atuação de lideranças femininas e apoiar a agenda de diversidade e inclusão da companhia.
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Alunas do programa Autonomia e Renda Petrobras, na Firjan SENAI SESI Macaé. Foto: Fernanda Braga | Firjan.
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