A escassez de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) para a produção de testes de Covid-19 preocupa a comunidade médica e científica. Em mais um encontro da websérie Pesquisa e Inovação, da Firjan SENAI, em 9/12, representantes da Rede SENAI de Biologia Molecular (Rede Biomol) se reuniram para debater e apresentar iniciativas e projetos de pesquisa aplicada, que vêm sendo desenvolvidos no combate ao novo coronavírus, de modo a tornar o país mais autônomo.
Para os participantes do encontro, a excessiva dependência da matéria-prima estrangeira na produção de testes deve ser tratada como questão estratégica. A submissão do fornecimento de insumos do exterior, especialmente os provenientes do mercado asiático, ganhou evidência com a pandemia. Impactadas pelas restrições comerciais, China e Índia reduziram as exportações, atrasaram as entregas e elevaram os preços com a demanda internacional.
“Diante de uma crise sem precedentes, com as cadeias globais de valor submetidas a uma pressão absurda, ficou claro que precisamos manter em território nacional setores estratégicos da indústria, como é o caso da matéria-prima dos testes da Covid”, ressaltou Ana Cristina Rodrigues da Costa, chefe do Departamento de Bens de Capital, Mobilidade, Aeronáutica e Defesa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição que apoia a Rede Biomol.
Criada há cinco meses, diante da necessidade de buscar soluções para auxiliar as indústrias na crise, a Rede Biomol tem nove institutos SENAI credenciados, com laboratórios, equipamentos, infraestrutura e capital humano disponível às pesquisas de combate ao coronavírus. Dois institutos da Firjan integram o grupo: o Instituto SENAI de Tecnologia (IST) Química e Meio Ambiente e o Instituto SENAI de Inovação em Química Verde (ISI QV).
Agilidade na detecção
O tempo de resposta dos testes realizados, um dos fatores cruciais para o sucesso no combate ao coronavírus, foi citado por Antonio Augusto Fidalgo, pesquisador-chefe do ISI QV. “No início, nos dedicamos às soluções mais imediatas para atender à indústria, como os testes rápidos de detecção do vírus. Agora o foco é investir nas pesquisas que garantam cada vez mais agilidade aos diagnósticos”, pontuou Fidalgo.
As respostas rápidas também estão entre as metas das equipes do Centro de Inovação SESI em Higiene Ocupacional, da Firjan. “Hoje temos uma operação com empresas off-shore que gera laudo em 12 horas. Antigamente a testagem saía em três dias. Continuamos aprimorando o nosso programa para fornecer laudos em até duas horas”, explicou Sergio Noboru Kuriyama, pesquisador-chefe do CIS HO.
O desenvolvimento de métodos de testagem para a validação de novas matrizes biológicas e a busca por soluções no diagnóstico da Covid-19 têm sido prioridade para os institutos SENAI credenciados à Rede Biomol. “Estamos depositando todos os esforços no sentido de apoiar a indústria brasileira para nos tornarmos independentes e ganharmos autonomia nessas tecnologias indispensáveis”, destacou Desireé Soares da Silva, pesquisadora industrial do Instituto SENAI de Inovação em Biomassa.
Assista ao episódio da websérie aqui.