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Novo índice avalia saúde da Bacia do Guandu, que impacta a produção de milhares de indústrias

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Publicado em 29/04/19 09:25  -  Atualizado em  29/04/19 09:48

Responsável pelo abastecimento de cerca de dez milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio e pelo funcionamento de milhares de indústrias e empresas do estado, a Bacia do Guandu tem capacidade de atender as demandas, mas a integridade de suas águas está comprometida. Esta é a conclusão do Índice de Saúde da Água (ISA), desenvolvido pela organização da sociedade civil Conservação Internacional (CI-Brasil) e apresentado em primeira mão no Conselho Empresarial de Meio Ambiente da Firjan.

Aplicado pela primeira vez no Brasil, o ISA é uma ferramenta de metodologia inovadora que possui três componentes principais, com o objetivo de diagnosticar a vitalidade do ecossistema; apresentar os serviços que ele é capaz de prover; e permitir a governança das águas. O índice mostra que a Bacia do Guandu, por enquanto, fornece de forma adequada os benefícios esperados, já que o componente de Serviços Ecossistêmicos apresentou pontuação de 74, em uma escala de 0 a 100. Entretanto, como a pontuação de Vitalidade do Ecossistema (42) é relativamente baixa, o fornecimento de água não é sustentável em longo prazo.

A pontuação referente à vitalidade é impulsionada, principalmente, pela baixa qualidade das águas (31). Também chama atenção, entre os indicadores, o desvio natural da vazão do Rio Guandu, cujo valor é muito baixo (4). “Não encontramos isso em nenhuma outra bacia hidrográfica analisada. Esse valor se relaciona com a transposição de águas do Rio Paraíba do Sul e significa que, sozinha, a bacia não poderia fornecer a quantidade de recursos hídricos necessários”, alerta Bruno Coutinho, diretor de Gestão do Conhecimento da CI-Brasil.

Dentre os três componentes, a governança das águas foi o que apresentou menor pontuação (26). O componente mede as questões diretamente relacionadas à gestão dos recursos hídricos, avaliando as estruturas e processos pelos quais as pessoas tomam decisões relacionadas aos recursos. O estudo apresentou lacunas de monitoramento de determinadas variáveis necessárias à tomada de decisões para melhoria do sistema.

“O resultado do ISA deve servir como alerta para a dependência de tantas pessoas e setores produtivos em relação a uma única fonte de recurso hídrico. Nesse sentido, devemos avançar bastante na questão da governança para garantir a segurança hídrica da população e das indústrias do estado do Rio”, alerta William Figueiredo, gerente de Sustentabilidade e Infraestrutura da Firjan.

Mais sobre o ISA

Com o resultado divulgado oficialmente no 4° Encontro do Projeto Índice de Saúde da Água, na Firjan, em 26/04, a elaboração do ISA contou com a participação de membros do Comitê Guandu-RJ e parceria da Firjan, da Agência da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Agevap) e do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Na América Latina, além do Guandu, ele também foi aplicado na Bacia Alto Mayo, no Peru, e na Bacia Bogotá, na Colômbia, visando à implementação de uma gestão integrada dos recursos hídricos. Maíra Bezerra e Natalia Acero, da CI em Arlington, nos Estados Unidos, e de Bogotá, na Colômbia, respectivamente, acreditam que o ISA seja uma plataforma eficiente para trocar conhecimentos e experiência dentro de uma ‘comunidade de prática’, já os desafios na região são similares, o que pode facilitar a catalisação de soluções inovadoras e o planejamento estratégico dos recursos hídricos na América Latina.
 

 
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