
Erick Lorenzato, pesquisador da Firjan SENAI SESI Parque TecnológicoFoto: Marcelo Martins/Firjan
O que têm em comum uma rede de pesca, um gramado sintético, uma blusa com proteção UV e um paraquedas, como os usados pelos astronautas da missão Artemis II? A fibra. A menor unidade estrutural têxtil está na base de diversos produtos que conhecemos.
Foi citando exemplos de itens do setor têxtil que o engenheiro químico Erick Lorenzato, pesquisador da Firjan SENAI SESI Parque Tecnológico, conduziu a palestra "Como os Têxteis Técnicos estão Redefinindo o Futuro da Indústria", no segundo dia (16/4) do Rio Fashion Week, evento que teve a Firjan SENAI como parceira oficial. Lorenzato explicou que esses produtos nascem de unidades estruturais semelhantes, a fibra, mas exigem especificidades de acordo com suas finalidades.
“Quase tudo o que vemos aqui começa com a fibra. A questão é que o setor está demandando inovações cada vez mais com alta performance. E é isso que o Parque Tecnológico da Firjan SENAI SESI faz”, afirmou. De forma didática, o pesquisador explicou a diferença entre têxteis convencionais, cujo propósito é estético ou decorativo, e têxteis técnicos, que têm foco funcional ou de desempenho. Estes últimos ganharam destaque diante dos recursos tecnológicos que avançam, incentivam e permitem a inovação.
De acordo com Lorenzato, o processo começa nas pesquisas de obtenção das fibras ou filamentos, que depois formam fios e tecidos para cada demanda da indústria. “Com resultados inovadores, apresentamos soluções, pois o objetivo da Firjan é alavancar a economia, fazer com que ela cresça e gere escala”, destacou. Para atender a um mercado cada vez mais exigente, são produzidas roupas com tecidos que não amassam, outras que se ajustam à temperatura do ambiente ou roupas antichamas para uniformes de bombeiros e outros materiais que absorvem substâncias oleosas.
Economia circular
Ainda na etapa de pesquisa e estudos, realizados em laboratórios como os do Parque Tecnológico da Firjan SENAI SESI, são considerados aspectos como custo benefício, escalabilidade, versatilidade, durabilidade, biocompatibilidade, personalização, saúde, segurança, leveza e resistência.
Lorenzato citou um exemplo que demonstra a importância da pesquisa no setor para a economia como um todo. “Descobrimos a potencialidade do uso da casca da castanha do Pará para produção de compósitos (materiais formados pela união de outros para se obter um produto de mais qualidade e garantir novas propriedades). Essa conexão vai além, porque movimenta todo o ecossistema, baseando-se na economia circular. Quem vai colher a castanha do Pará para chegar até o laboratório? Isso é muito importante pois está alinhado aos propósitos da federação de impulsionar negócios, gerar empregos”, observou.
Números e histórico
Por conta de fatores políticos e econômicos, o Rio de Janeiro perdeu competitividade nacional na produção têxtil, setor que atualmente é mais pujante na região Sul e em São Paulo. Mesmo assim, Nova Friburgo, no Centro-Norte, destaca-se, com força em moda íntima.
Erick Lorenzato lembrou que, no passado, o cenário do Rio era diferente, e citou a Companhia Progresso Industrial, mais conhecida como Fábrica de Tecidos Bangu, fundada em fevereiro de 1889. Ela gerou expansão da indústria têxtil no Rio de Janeiro entre os anos 1885 e 1895, com produção que ia do fio até tecidos estampados. Segundo Lorenzato, o trabalho da Firjan visa a reconquistar esse espaço. “O setor é forte, e o Rio tem potencial”, finalizou.
O pesquisador apresentou ao público números do setor. Em âmbito internacional, o Brasil ocupa o quinto lugar, com faturamento de R$ 221 bilhões, com mais de 25,5 mil empresas ativas, gerando 1,31 milhão de empregos diretos.
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