
Planta da Gás Verde, em Seropédica, na Região MetropolitanaFoto: Divulgação
Desde janeiro de 2022, quando o grupo Urca Energia assumiu a gestão da Gás Verde, a empresa evitou a emissão de mais de 680 mil toneladas de CO2 na atmosfera. É o equivalente ao plantio de mais de 4 milhões de árvores. O resultado é fruto de uma ação especial da empresa, sediada em Seropédica, na Baixada Fluminense, e contribui para a meta global de reduzir ao máximo a emissão de gases do efeito estufa (GEE). A iniciativa venceu a categoria Mudança do Clima e Eficiência Energética do Prêmio Firjan de Sustentabilidade 2025.
Vale lembrar que continuam abertas as inscrições para a 14ª edição do Prêmio Firjan de Sustentabilidade até esta terça-feira, dia 2/6.
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Transformando resíduos sólidos urbanos em energia 100% renovável, a iniciativa consolida o biocombustível como peça-chave para a descarbonização da indústria e da mobilidade. A Gás Verde desenvolveu o projeto tendo como objetivo ajudar as empresas a acelerarem suas operações rumo à descarbonização. Em um cenário de emergência climática, com eventos extremos cada vez mais frequentes, a empresa compreendeu que reduzir os impactos ambientais é uma responsabilidade de todos.
Essa transição também atende ao comportamento dos consumidores atuais, que estão cada vez mais conscientes e exigentes, esperando uma postura responsável por parte das corporações. Conforme Daniela Teixeira, diretora de Comunicação e ESG da Gás Verde, substituir combustíveis fósseis por alternativas renováveis, como o biometano, deixou de ser uma mera escolha para se tornar uma urgência.
“O projeto foi desenvolvido naturalmente dentro dos nossos objetivos e pautas de transformar passivos ambientais em soluções sustentáveis e escaláveis. É ajudar as empresas a acelerarem suas operações rumo à descarbonização. Desde o início, pensamos como estruturar uma alternativa eficaz e economicamente viável que permitisse ao setor produtivo substituir combustíveis fósseis e avançar de forma concreta na agenda de descarbonização”, explica.
Para Renata Menezes Rocha, assessora técnica do Conselho Empresarial ESG e especialista em Sustentabilidade da Firjan, o reconhecimento da Gás Verde é inspirador para o mercado.
“Destacar iniciativas como a da Gás Verde na expansão de fornecimento de biometano, uma fonte de energia renovável, gerado a partir da decomposição de resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários, é fundamental para ilustrar medidas do setor privado em direção a uma economia de baixo carbono. Além de demonstrar a importância do estado do Rio de Janeiro nessa trajetória. A maior planta de biogás da América Latina está localizada aqui. Outro diferencial da iniciativa vencedora é o cuidado ao longo da cadeia, a entrega do biocombustível é realizada visando reduzir os impactos ambientais, com uma frota movida a biometano”, destaca.
A operação
Para consolidar a solução, a empresa estruturou sua operação em Seropédica, no Rio de Janeiro, onde hoje funciona a maior planta de biometano da América Latina. A unidade recebe diariamente cerca de 10 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos provenientes da região metropolitana da capital. Em vez de se acumularem inadequadamente, esses resíduos são geridos sem impacto ao meio ambiente, em um aterro sanitário projetado com solo preparado para evitar a contaminação do lençol freático e tratar o chorume. A empresa lembra que o Brasil contabiliza mais de 3 mil lixões a céu aberto.
Quando o resíduo orgânico entra em decomposição, ele gera o biogás, um poluente nocivo que contém metano, um gás 25 vezes mais prejudicial que o CO?. A estrutura do aterro faz a captura desse biogás, impedindo sua liberação na atmosfera. Em seguida, o material passa por um refino avançado que o transforma em um combustível 100% renovável, com as mesmas características do gás natural.
“Essa transformação exige sistemas de purificação e controle de alta eficiência para garantir qualidade, segurança e regularidade no fornecimento. Nós utilizamos sensores, sistemas de automação e ferramentas de inteligência de dados para monitorar, em tempo real, todas as etapas da produção, desde a recepção do biogás do aterro até a entrega final e o acompanhamento do consumo”, explica Daniela Teixeira. A executiva ressalta que o orgulho da empresa em ver grandes companhias adotando o biometano produzido pela Gás Verde em suas indústrias e frotas dos setores de alimentos, bebidas, cosméticos, siderúrgico, automobilístico, entre outros.
Disseminação de conhecimento
Paralelamente às atividades industriais, a Gás Verde atua no compartilhamento contínuo e transparente de informações. A companhia assume o papel de agente catalisador de mudanças por meio do diálogo com o mercado, esferas de governo e com a sociedade.
Esse fluxo contínuo de dados é realizado pela participação em seminários do setor, concessão de entrevistas por seus porta-vozes e condução de workshops específicos para jornalistas. O objetivo é exercer uma liderança pedagógica, transformando também os seus clientes em multiplicadores para que o mercado de biocombustíveis avance nas frentes tecnológica, logística e regulatória.
“O prêmio da Firjan reforça que estamos no caminho certo ao transformar resíduos em energia renovável e contribui para dar visibilidade a soluções que já são viáveis e escaláveis. O biometano é um exemplo prático de economia circular. Nosso desejo é que essa premiação ajude a fortalecer o debate sobre a destinação correta dos resíduos sólidos urbanos e estimule mais empresas, governos e a sociedade a enxergarem a sustentabilidade não apenas como uma necessidade ambiental, mas como uma verdadeira oportunidade de inovação, competitividade e transformação social”, pontua Daniela.
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