
Guilherme Sampaio (ANTT), Mauro Viegas Filho (Firjan), Cleverson Aroeira (BNDES) e Rafael Ferraz (BNDES)Foto: Marcelo Martins/Firjan
A reunião do Conselho Empresarial de Infraestrutura da Firjan recebeu, nesta quarta-feira (24/6), representantes de duas instituições federais para debater temas estratégicos para a infraestrutura do Rio de Janeiro. O analista do Departamento de Mobilidade Urbana do BNDES, Cleverson Aroeira, apresentou os principais pontos do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, com foco nos desafios do transporte coletivo estruturante no país e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Já o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, apresentou um panorama das concessões rodoviárias e ferroviárias, destacando investimentos previstos, projetos em andamento e oportunidades para melhoria da infraestrutura logística do estado, além de prestar esclarecimentos aos conselheiros sobre a possibilidade de melhorias e obras nas vias do estado.
Abrindo a rodada de debates, o presidente do Conselho, Mauro Viegas Filho, destacou a importância do diálogo entre o setor produtivo e os representantes do governo federal, tanto para aprofundar o diagnóstico dos problemas quanto para contribuir com propostas de melhoria dos serviços e da infraestrutura. “O BNDES hoje é quase um planejador da infraestrutura do nosso país”, salientou o empresário.
Cleverson Aroeira apresentou o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, resultado de dois anos de coleta de dados, análises e construção de uma carteira de projetos para o transporte público coletivo de média e alta capacidade. O conteúodo, desenvolvido pelo BNDES em cooperação com o Ministério das Cidades, avaliou 21 regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes, que concentram cerca de 42% da população brasileira.
Embora o material seja divulgado oficialmente apenas na semana seguinte à reunião, o especialista do BNDES antecipou alguns dados aos empresários. Entre os pontos debatidos, destacou-se a necessidade de ampliar a coordenação entre os diferentes sistemas de transporte, evitando sobreposição de serviços, baixa integração operacional e concorrência desorganizada entre modais. No Rio de Janeiro, esse desafio aparece em corredores de alta demanda, como a Avenida Brasil, onde diferentes alternativas de transporte disputam espaço físico e passageiros sem uma integração plenamente estruturada.
“Se eu tivesse que resumir em um problema único a mobilidade urbana do Brasil, seria a falta de coordenação nas cidades. Muitas vezes, não falta dinheiro, mas sim coordenação e integração tarifária”, observou.
Ele também destacou que o estudo concluiu que o financiamento das obras de uma rede de mobilidade urbana deve ocorrer por meio de parcerias público-privadas (PPPs), com gestão privada e infraestrutura provida pelo governo federal. “Não existe retorno financeiro em obras de mobilidade urbana, nem no Brasil nem em outro lugar do mundo. A gente não investe em mobilidade urbana porque dá retorno financeiro, e sim porque dá retorno econômico”, explicou.
Outro assunto que dominou a reunião foi a urgência da ampliação do metrô, tanto com a construção da linha 3, que ligaria a capital aos municípios da Região Metropolitana, como Niterói e São Gonçalo, quanto em melhorias na própria linha 2 no município. Para o especialista em mobilidade urbana, uma obra de expansão da linha 2 entre as estações do Estácio e Carioca resultaria em possibilidade de diminuição de intervalos nas linhas 1 e 2, aumentando a oferta de lugares no sistema e diminuindo a lotação das composições.
“A requalificação do trem urbano e uma instalação de metrô na Praça XV estão no topo das prioridades, por beneficiarem muita gente. A nossa proposta é que a união financie esta mudança”, salientou Aroeira. A fala foi endossada por Mauro Viegas Filho, que concluiu: “Esta também é nossa expectativa, de que o poder público aumente os investimentos para melhorar a mobilidade urbana no estado”.
Gargalos logísticos e investimentos em rodovias e ferrovias
O diretor-geral da ANTT apresentou a agenda de concessões realizadas pelo governo federal nas estradas e ferrovias fluminenses, mas recebeu muitos pleitos sobre a celeridade de melhoria da infraestrutura do estado, para impulsionar a economia. De acordo com Guilherme Theo Sampaio, o Rio hoje conta com cinco concessões rodoviárias estratégicas, que somam R$ 49,4 bilhões em investimentos previstos e R$ 38,1 bilhões em custos operacionais. Entre elas estão concessões relacionadas à BR-101, BR-116, BR-040 e conexões relevantes com Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, fundamentais para a circulação de cargas, a integração regional e a competitividade da indústria fluminense.
O diretor da ANTT escutou questionamentos, por exemplo, sobre a BR-393 (Rodovia Lúcio Meira, também conhecida como Rodovia do Aço), um corredor logístico essencial que liga o polo metalúrgico do Sul Fluminense ao estado de Minas Gerais. Os conselheiros destacaram as péssimas condições da pista e os desafios para execução de obras em rodovias federais. Isso inclui entraves relacionados ao licenciamento ambiental, à previsibilidade dos investimentos e à necessidade de compatibilizar os cronogramas contratuais com as demandas concretas dos usuários e do setor produtivo.
No entanto, Sampaio se mostrou otimista em relação às melhoras e citou como progresso as obras na Serra das Araras (Via Dutra), com um primeiro trecho recém-inaugurado. Ele acredita que, em breve, será publicado um edital de concessão da ferrovia EF-118, ampliando a integração logística entre portos, ferrovias e polos industriais do Sudeste.
“O Rio de Janeiro, em termos de infraestrutura, normalmente tem leilões com bom dinamismo. O investidor acredita no ambiente de estabilidade institucional e na qualidade dos projetos apresentados, no ambiente de gestão, regulação e fiscalização que a gente implantou na ANTT”, projetou.