O Conselho Empresarial de Agronegócios, Alimentos e Bebidas da Firjan debateu, em 30/9, as oportunidades e os desafios da indústria de base florestal, setor com potencial de crescimento, sobretudo no norte e no noroeste do estado, e que representa inúmeros benefícios ao meio ambiente. O encontro mensal abordou também o status da pesquisa Diagnóstico das Cadeias Produtivas do Agro no Estado do Rio e a oferta de mão de obra qualificada no setor.
A reunião foi conduzida pelo presidente do Conselho, Antonio Carlos C. Cordeiro, e contou com a participação de Sandro Longuinho, diretor da Tree+, empresa de manejo florestal sustentável, que atua na recuperação de áreas degradadas e proteção de recursos hídricos. O executivo, que atua principalmente na região norte fluminense, explicou que a companhia trabalha com atividades como replantio de árvores, projetos de integração lavoura-pecuária-floresta, plantação de eucalipto e créditos de carbono.
“Com foco na restauração ambiental e no desenvolvimento sustentável, o projeto em Campos destina 30% de sua área à recuperação direta do bioma Mata Atlântica e 30% ao cultivo comercial adensado de eucalipto em propriedades adquiridas pela própria empresa ou por meio de arrendamento. A maior fatia da iniciativa, correspondente a 40%, é voltada para o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), completou Sandro Longuinho.
A expectativa é que, na fase de implantação, o arrendamento e a preparação do solo gerem um efeito multiplicador direto no campo, em que para o valor aplicado na locação da terra, em torno de R$ 900/ha/ano, investe-se de 10 a 15 vezes mais na contratação de serviços, aquisição de suprimentos, maquinário agrícola e transporte. O negócio pode render de três a cinco vezes mais em relação ao investimento inicial – quase o dobro do retorno da pecuária, segundo o executivo.
Cadeias produtivas
O encontrou também abordou o Diagnóstico das Cadeias Produtivas do Agro, realizado pela Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Faerj) em convênio com o Sebrae-RJ e com apoio institucional da Firjan. Os dados das cadeias de cafeicultura, olericultura, pecuária de corte e pesca já estão em fase final de ajustes e correções e em breve iniciação as entrevistas para a cadeia da pecuária leiteira. A previsão é concluir o levantamento até o final do ano, com o objetivo de entregar ao poder público uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento regional.
Maurício Salles, vice-presidente da Faerj, frisou que os dados devem, por exemplo, identificar oportunidades de alavancar a produção fluminense. “Nós falamos muito sobre a tributação do produto final, mas enfrentamos gargalos práticos no custo de produção: ao comprar um equipamento como um recolhedor de café, por exemplo, ele custa 20% mais barato em Minas Gerais do que no Rio de Janeiro. São esses detalhes que o relatório vai evidenciar”, observou.
Maurício as respostas do documento final devem ser levadas às autoridades. “Nós acreditamos que esse diagnóstico vai servir muito para que o governo do estado e o legislativo tenham um documento claro que mostre para onde precisamos caminhar, mapeando desde os desafios de produção até gargalos de infraestrutura e tributação no Rio de Janeiro”, disse.
Escritório de Carreira
Na reunião, Antonio Carlos Cordeiro comentar sobre a dificuldade que os setores industriais enfrentam em relação à escassez de mão de obra qualificada. “Hoje temos um quadro muito claro sobre a complexidade de contratar jovens, já que muitos preferem trabalhar em plataformas e aplicativos, que se tornaram os nossos grandes concorrentes no mercado de trabalho”, afirmou.
O empresário elogiou o Escritório de Carreira da Indústria, plataforma gratuita de empregabilidade desenvolvida pela Firjan para conectar de forma personalizada empresas com alunos e profissionais do estado do Rio de Janeiro. A solução foi apresentada pela analista em Responsabilidade Social da Firjan SESI, Aline Castiñera, que falou sobre o mercado de trabalho e as vantagens de utilizar a plataforma em busca do melhor perfil para preencher vagas das indústrias de uma forma geral.