
Paul Anastas, fundador e diretor do Centro para Química Verde e Engenharia Verde da Universidade de Yale, participou de debate na FIRJANFoto: Vinicius Magalhães
A química verde é um dos pilares principais para estimular a sustentabilidade no planeta, segundo Paul Anastas, fundador e diretor do Centro para Química Verde e Engenharia Verde da Universidade de Yale. Ele foi um dos palestrantes do Green Chemistry Day, evento promovido com a finalidade de difundir esses conceitos na educação e na indústria.
Segundo Alexandre dos Reis, diretor do SENAI, em momento de escassez de recursos, a inovação é o caminho para garantir o desenvolvimento sustentável: “Química verde é um campo emergente, que tem como objetivo promover ações científicas ou projetos industriais sustentáveis. Aplicar seus princípios pode parecer, em um primeiro momento, distante da realidade. Entretanto, usá-la resulta em produtos menos agressivos à saúde e ao meio ambiente, além de reduzir custos em processos e aproveitar melhor as matérias-primas”.
Por isso, na avaliação de Anastas, é preciso lutar contra o comodismo e investir em mudanças. “Toda vez que uma companhia rejeita uma inovação porque ela irá mudar a cadeia de suprimentos, por exemplo, é o status quo impedindo o progresso. A verdadeira transformação age na base energética e econômica de nossa sociedade, como visar mais saúde em vez de toxicidade e o renovável em vez de caminhar para a escassez”, explicou.
De acordo com ele, a química verde atua e pode atuar ainda mais em setores como o de defesa e aeroespacial, automobilístico, cosméticos, agricultura, eletrônico e farmacêutico: “Tecnologias como o big data, a impressão 3D a biologia sintética e a inteligência artificial são disruptivas e caminham junto com a química verde”.
Cláudio Mota, vice-diretor do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicou que uma das alternativas atuais para combater o aquecimento global e evitar o efeito estufa é por meio da captura e utilização de carbono, evolução do conceito de captura e sequestro de CO2. “Em vez de aumentar os custos das empresas com transporte e armazenagem do carbono produzido, ele será transformado em outros reagentes. Está ligado ao conceito de economia circular”, afirmou.
Maior produtora de resinas termoplásticas nas Américas, a Braskem também desenvolve soluções nesse sentido. O plástico verde – polietileno renovável – é resultado da combinação de inovação, tecnologia e sustentabilidade. “Por ser produzido a partir do etanol da cana-de-açúcar ele é 100% renovável, ao contrário, os polietilenos tradicionais utilizam fontes fósseis. Assim, o plástico verde captura e fixa gás carbônico da atmosfera durante a sua produção, colaborando para a redução da emissão de gases poluentes”, explicou Roberto Werneck, gerente de Processos Renováveis da Braskem.
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"A verdadeira transformação age na base energética e econômica de nossa sociedade", Paul Anastas | Foto: Vinicius Magalhães |
Segundo ele, o produto mantém as mesmas propriedades, desempenho e versatilidade de aplicações dos polietilenos de origem fóssil. A iniciativa é uma parceria entre o Instituto SENAI de Inovação (ISI) em Química Verde com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e a Braskem para um projeto que desenvolve estudos de caso em química verde e tecnologias.
Inovação
As oportunidades de atuação dos ISIs foram apresentadas à plateia de pesquisadores, acadêmicos e empresários da área. “Ajudamos empresas a concretizar projetos, como a fabricação de novas fragrâncias, desenvolvimento de microrganismo geneticamente modificado para a produção de um químico, criação de novos biossurfactante com resíduos da indústria têxtil etc”, informou Paulo Coutinho, gerente do ISI em Biossintéticos.
Antonio Fidalgo, pesquisador-chefe do ISI em Química Verde, detalhou as possibilidades de aumento da produtividade a partir da escassez de recursos naturais: “O SENAI está preparado para auxiliar as companhias nessa situação, de modo a ajudá-las a se tornarem mais competitivas, a exemplo de um reator de água supercrítica, tecnologia verde e de ponta, que pode ser aplicada em diversos setores, tais como o químico e o de transformação”.
Por sua vez, Thamilla Talarico, especialista de Indústria Criativa do Sistema FIRJAN, detalhou as possibilidades da Casa FIRJAN – um hub de inovação e geração de negócios – para esse público. “É muito importante ter a presença de pesquisadores nesse novo espaço, de modo a facilitar diversas conexões com a indústria, seja por meio dos ISIs ou da presença desses profissionais em nossos FabLabs”, afirmou.
O Chemistry Day, primeiro projeto financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) do Banco Mundial e uma iniciativa da Unido, aconteceu em 20 de outubro, na sede do Sistema FIRJAN.