Com as altas temperaturas, dias mais longos e maior exposição ao sol, o corpo passa por adaptações metabólicas que exigem atenção redobrada. O calor excessivo, que é comum no verão, aumenta a perda de líquidos e eletrólitos, tornando a escolha dos alimentos um fator decisivo para manter a saúde. Esse é um período com mais idas a praias, viagens, confraternizações e atividades ao ar livre. Com isso, episódios de desidratação, intoxicação alimentar, queda de imunidade e mal-estar tornam-se mais comuns.
Fernanda Chaves, nutricionista da Firjan SESI, alerta que a hidratação deve ser prioridade, já que o corpo trabalha em um ritmo de maior esforço. “Durante o verão, por conta do calor intenso, a transpiração aumenta e com ela perdemos água e sais minerais, principalmente sódio e potássio, que são importantes para a nossa regulação de temperatura”, explica.
Os sinais de desidratação podem variar. “A sede intensa é um sintoma, mas cansaço, fraqueza e a urina escura são indicativos que devem ser percebidos. Além desses, há ainda dor de cabeça e pele e boca secas”. A especialista reforça que, em casos graves, os sintomas podem evoluir para tonturas, irritabilidade e até confusão mental, especialmente em idosos.
Estratégias para manter o equilíbrio
A nutricionista afirma que o essencial é a ingestão constante de líquidos. “Hidratar-se mesmo sem sede é fundamental. Uma dica é andar com uma garrafinha de água ao seu lado e ir monitorando o consumo”. Além disso, frutas como laranja, abacaxi, melancia e melão são grandes aliadas por serem ricas em água.
Em relação ao uso de isotônicos, ela esclarece que, para a população em geral, podem ser substituídos por opções naturais, como água de coco ou sucos, que também repõem os sais. Já para quem consome álcool, a indicação do Ministério da Saúde é tolerância zero, mas uma dica para mitigação de danos é sempre intercalar com água e nunca beber sem se alimentar.
Nas refeições, a orientação é evitar frituras e priorizar uma digestão leve, evitando comidas mais pesadas. A nutricionista destaca também a importância de nutrientes antioxidantes, como as vitaminas A, C e E, que ajudam a proteger a pele do sol.
Outro perigo no verão é a conservação dos alimentos. “Os microrganismos que contaminam gostam muito dessa temperatura mais quentinha. A chance de um alimento estragar aumenta muito”. Nesse cenário, a profissional da Firjan SESI recomenda atenção rigorosa ao consumo de alimentos de ambulantes, ao gelo de origem desconhecida e ao armazenamento e transporte de lanches e refeições fora da geladeira.
Fernanda finaliza reforçando o cuidado com crianças e idosos, especialmente em ambientes de lazer como a praia. “Os extremos etários são mais vulneráveis à desidratação”, ressaltou. E aliado à hidratação constante, Fernanda sugere unir praticidade e saúde, levando frutas ou opções simples como o ovo cozido na casca.
Além da dieta, a nutricionista ressalta que o equilíbrio se completa com proteção física (bonés e protetor solar) e um sono de qualidade. “Dormir é um momento de regeneração celular, quando a gente não dorme bem, não é só a alimentação que vai reparar o corpo”, explicou.