A sede do Firjan foi palco, na última quinta-feira (10/9) da grande final do Grand Prix Soluções Éticas – Hack & Ética. Em formato de hackathon, a terceira edição do projeto teve como tema central a “Jornada do Bem-Estar Organizacional e Integridade nas Relações de Trabalho”. Realizado pela Firjan SENAI SESI em parceria com o Eticalizando, o evento contou com o apoio do Escritório Prado Vidigal, do Sebrae RJ e da L'Oréal.
Em um cenário corporativo que exige cada vez mais transparência, boas práticas de governança, compliance, liderança, gestão e cuidado com a saúde mental, os alunos da rede Firjan SENAI SESI mostraram que a tecnologia pode ser uma grande aliada das relações de trabalho humanas e éticas com os seus projetos. Além de reconhecer e premiar trabalhos desenvolvidos, a iniciativa busca permitir que os futuros profissionais já comecem a dialogar com as normas atuais e sejam abertas oportunidades para eles entrarem no mercado – em desafio enfrentado pelas organizações.
Vinícius Cardoso, diretor de Educação e Cultura da Firjan, relembrou como a iniciativa nasceu de forma espontânea durante uma Semana de Integridade realizada pela diretoria de compliance da instituição, quando o tema da ética foi abordado. Para ele, o Hack & Ética consolidou-se como um dos projetos mais transformadores da rede de ensino da federação.
“Quando a gente está falando de ética, não é uma coisa boa o que se vê no dia a dia; a gente deve reagir à falta de ética com mais ética. Esse é um dos projetos mais encantadores da educação da Firjan SENAI SESI, porque supera as nossas expectativas”, afirmou o gerente, direcionando-se também aos estudantes: “Vocês são trabalhadores dessa imensa cadeia produtiva. O trabalho de vocês é estudar e aprender. São vocês que produzem concretamente o que a escola foi feita para fazer."
Januária Lopes, gerente de Integridade Corporativa da Firjan, enfatizou a participação do ser humano na construção de soluções tecnológicas. “Falamos muito de tecnologia e de inteligência artificial, mas o diferencial são as pessoas. A criação e as conexões pessoais são insubstituíveis. Quando trazemos um tema sobre saúde e bem-estar, colocamos o ser humano como protagonista da história. No fim, a tecnologia é uma ferramenta para potencializar as nossas habilidades. Foi esta reflexão que desejamos levar para os alunos. Eles brilharam nos projetos”, disse.
Assista abaixo a íntegra do evento:
Das salas de aula para o ecossistema do mercado
Antonio Carlos Hencsey, mais conhecido como Tatau, o criador do Eticalizando, enfatizou a qualidade dos projetos elaborados pelos jovens. E destacou a evolução do evento, citando que, com a parceria, o Sebrae RJ pôde oferecer mentoria às dez equipes finalistas, permitindo que as ideias desenvolvidas no hackathon não fiquem restritas ao ambiente acadêmico.
“Ver esses jovens trazendo projetos tão lindos. Não é só na essência do projeto, mas também na qualidade. E o que vemos aqui não vemos em grandes escolas, muitas vezes particulares e caras. Estes jovens apresentam ideias incríveis, com soluções práticas.”
Representando a Gerência de Educação do Sebrae RJ, sob liderança de Antônio Carlos Kronemberger, o analista Milton Dias reforçou o compromisso da entidade com a formação empreendedora de jovens talentos que em breve assumirão cargos de liderança e gestão no setor produtivo.
“O Sebrae tem um compromisso muito sério com a educação, principalmente a educação empreendedora nos colégios e universidades. A gente vive justamente para fomentar o empreendedorismo. Essa galerinha que estamos apresentando hoje serão os futuros CEOs de amanhã”, declarou.
Carolina Ferreira, gerente jurídica da L’Oréal, acompanhou o projeto pelo segundo ano consecutivo e destacou o potencial transformador da iniciativa. “Conheci esse projeto no ano passado, fazendo parte da banca julgadora, e fiquei encantada. É lindo ver a animação dos alunos e a criatividade em colocar uma ideia em prática com tanta inovação e desenvolvimento. Levei o tema para dentro da L’Oréal e este ano voltamos como apoiadores. É o futuro do Brasil”, avaliou.
Na mesma linha, Pedro Sanchez, sócio do escritório Prado Vidigal Advogados, ressaltou a importância de conectar o uso das novas ferramentas tecnológicas à visão dos jovens. “Falamos tanto de tecnologia e, muitas vezes, esquecemos de olhar para quem vai operar essa tecnologia. Esse evento é muito legal porque ele alia os dois mundos: ele nos mostra como, de fato, a tecnologia vai nos impactar, mas pelas lentes de quem vai operar essa tecnologia, que são os jovens. E é muito bacana ver o engajamento, o talento e a força e determinação que eles empregam e, obviamente, o quão inovadores nas soluções que criam”, ressaltou.
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| Foto: Thelma Vidales/Firjan |
A edição deste ano superou o número de inscritos em 2025, registrando 1.506 alunos, com 363 equipes inscritas. Participaram 37 escolas do sistema e chegaram à fase final 10 delas: Maracanã, com a equipe StarGirls; Resende (Quantum); Barra do Piraí (Zênite); Laranjeiras (Os Lunáticos); Três Rios (Libel); Benfica (Los Eletromecânicos); Maracanã (Vertice); Resende (Nexus); Barra Mansa (Elo da Mente) e Duque de Caxias (Engensapien).
Os três vencedores
O resultado final foi anunciado após a apresentação de cada grupo por uma banca julgadora. Também foi premiada a unidade com o maior número de engajamento. As três equipes escolhidas como vencedoras foram:
Equipe Vertice, do Maracanã, com o projeto Temporus. O time é formado pelos players Pâmela Cordeiro Machado, Anna Sophia Freire dos Santos, Gabrielle Alana Porto dos Santos; e Guilherme Albuquerque Ramos, sendo Bruno da Silva Miguel o orientador. O Temporus é uma extensão que promove equidade no acesso à informação digital, tornando plataformas mais acessíveis e personalizáveis para pessoas com diferentes deficiências visuais e neuropsicológicas. A ferramenta oferece recursos específicos para baixa visão, dislexia e daltonismo, permitindo ajustar fontes, brilho, espaçamento e cores para proporcionar uma experiência mais confortável e inclusiva. O Temporus também busca promover bem-estar, autonomia e inclusão profissional, contribuindo para a prevenção do estresse e dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Equipe Zênite, de Barra do Piraí, com o projeto Zelo. Compõem a equipe Samara Castro de Araújo; Yasmin Soares Cabral de Melo; Ryan Lucca França da Costa; Maicon Douglas de Jesus Silva; e Angelo Alberto Marques Junior. Os alunos foram orientados por Flavia dos Santos de Deus e Gabriel Santos Piveti. A Zelo é uma metodologia preventiva para a gestão de riscos psicossociais, conectando as exigências da NR-1 à realidade das organizações. Por meio do mapeamento dos processos, do Botão Z e de indicadores como o ICO – Índice de Confiabilidade Organizacional, a metodologia identifica fatores de desgaste, dá voz aos colaboradores e apoia as lideranças na prevenção e solução das causas dos problemas. Uma proposta que busca transformar a cultura organizacional, equilibrando bem-estar, produtividade e sustentabilidade para construir ambientes de trabalho mais seguros e humanos.
Equipe Quantum A.I., de Resende, com o projeto Meta Wise. O time é composto pelos players: Davi Oliveira Portela de Souza; Matheus Souza de Almeida; e Sara dos Reis Vieira. Rodolfo Souza Moraes da Silva foi o orientador do time. Diante da pergunta “Como produzir mais sem triturar as pessoas?”, a equipe desenvolveu uma metodologia que ajuda gestores a definir metas mais sustentáveis e responsáveis. A ferramenta Meta Wise utiliza o Índice de Sustentabilidade, que combina produtividade, capacidade operacional, fatores humanos e conformidade com a NR-1 para prever riscos como sobrecarga, absenteísmo, retrabalho e burnout. Uma proposta que une desempenho, bem-estar e gestão ética, transformando dados em decisões mais responsáveis.
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| Foto: Thelma Vidales/Firjan |