A Firjan destaca que o resultado da produção industrial reflete um ambiente desafiador para o setor, ainda fortemente pressionado pela alta taxa de juros e por um cenário externo mais adverso. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a atividade industrial ficou praticamente estável, com avanço marginal de 0,1% em março em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal. Nos últimos 12 meses, a indústria geral registrou variação positiva de apenas 0,4%, enquanto a indústria de transformação apresentou contração de 0,8%. Diante do cenário, a federação enfatiza que o Índice de Confiança do Empresário Industrial registrou o 16° mês consecutivo de pessimismo.
Segundo a Firjan, a Selic mantida em níveis historicamente elevados continua sendo um dos principais entraves à atividade, aumentando o custo de crédito para financiamento pelo lado da produção e potencializando o endividamento das famílias pelo lado do consumo. A federação complementa que esse quadro se agrava em um contexto de maior incerteza global: os conflitos geopolíticos já afetam as cadeias produtivas, impondo aumento de custos para a indústria e para a sociedade de forma geral.
Nesse cenário, a Firjan ressalta que se torna ainda mais relevante o fortalecimento de fundamentos que garantam resiliência da economia nacional. Para a federação, é evidente que o Brasil vive uma grande ruptura das âncoras que sustentam crescimento econômico de longo prazo: faltam regras fiscais críveis, agenda de reformas e harmonia entre os poderes. Somente com a retomada dos fundamentos macroeconômicos, a indústria será capaz de aumentar sua competividade, produzir bens de maior valor agregado e de se inserir de forma estratégica nas cadeias globais de comércio.