A Firjan ressalta que a queda de 0,6% da produção industrial em agosto, frente a julho, reforça o enfraquecimento da atividade do setor e evidencia que os avanços recentes têm sido pontuais e insuficientes para estabelecer uma trajetória de recuperação mais ampla e consistente.
Para a Firjan, essa fragilidade também se evidencia no resultado acumulado entre janeiro e agosto, período em que a produção industrial avançou 0,8%. O crescimento foi sustentado principalmente pela indústria extrativa, que expandiu 6,1%, enquanto a indústria de transformação recuou 0,1%. Essa diferença reforça a concentração do desempenho industrial na produção de petróleo, gás e minerais, em contraste com a ausência de uma reação consistente dos segmentos mais sensíveis à demanda doméstica.
A concentração do crescimento na atividade extrativa produz efeitos distintos entre os estados, conforme suas estruturas produtivas. No Rio de Janeiro, esse movimento contribui para perspectivas mais favoráveis para a economia fluminense, já que a cadeia de petróleo e gás possui peso expressivo e segue amparada por um ciclo próprio de investimentos e maturação de projetos. No conjunto do país, contudo, o avanço da extrativa não é suficiente para compensar a fragilidade da indústria de transformação, mais sensível às condições de crédito, ao consumo e aos investimentos. Com isso, a produção industrial brasileira permanece cerca de 15,6% abaixo do pico alcançado em maio de 2011.
Para os próximos meses, mesmo com o início da flexibilização monetária, o patamar ainda elevado dos juros continuará limitando os setores mais dependentes do mercado interno. Segundo a Firjan, uma recuperação industrial consistente demanda previsibilidade econômica e estímulo aos investimentos, cenário em que o ajuste fiscal se consolida como o principal desafio.