Na última quinta-feira (24/9), a Firjan IEL e o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) promoveram mais uma edição do Programa Governança na Prática, na Casa Firjan. Este foi o segundo evento da série de quatro, voltado às micro e pequenas empresas (MPEs), principalmente as chamadas familiares, e teve como mote “Sucessão: Desafios e Preparação para o Futuro”. O objetivo foi promover conhecimento, fazer conexões e apresentar cases sobre transição geracional na intenção de contribuir para a continuidade e prosperidade dos negócios no cenário industrial fluminense.
A parceria entre a Firjan IEL e o IBGC reforça o compromisso de apoiar empresários, sócios, sucessores e lideranças na sua jornada de governança e sucessão, especialmente nas pequenas e médias empresas, que estão entre as grandes prioridades do Sistema Firjan. Esperamos que este momento proporcione conhecimento, reflexão, troca de experiências e também novas conexões. Luiz Cesio Caetano, presidente da Firjan.
O presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano, deu boas-vindas aos empresários, enfatizando que o encontro com empresários e lideranças representa um dos momentos mais decisivos na trajetória de uma empresa familiar. “Mais do que uma simples passagem de comando entre gerações, a sucessão envolve diálogo, planejamento, profissionalização da gestão e, principalmente, uma visão compartilhada sobre o futuro do negócio”, destacou. Caetano também enfatizou a oportunidade do encontro em abordar pautas que trazem decisões estratégicas, assim como o papel da governança para garantir a longevidade, crescimento e sustentabilidade.
Ricardo Lacerda, vice-presidente do Conselho do IBGC, destacou a importância do encontro, que busca justamente aproximar a governança responsável da realidade das empresas. “Este tema nunca foi tão necessário. No primeiro encontro, tratamos da aplicabilidade da governança em empresas de diferentes portes, um debate muito enriquecedor. Hoje, avançamos para um ponto que considero decisivo para a continuidade de qualquer organização: a sucessão”, afirmou.
Frisando que a sucessão é um processo e não um evento pontual – e que preparar esse momento exige mais do que apenas escolher um sucessor –, Ricardo Lacerda provocou uma reflexão no auditório. Segundo ele, a indagação padrão costuma ser: “Quem será o próximo?”. “Mas, na minha opinião, há perguntas anteriores ainda mais fundamentais. Como: qual empresa queremos deixar para o próximo ciclo? Quais competências serão exigidas? O que devemos preservar e o que precisa mudar para mantermos a relevância? Nas empresas familiares, o tema ganha mais sensibilidade, pois a sucessão passa por estratégia e competências, sem deixar de lado a história, o afeto, as expectativas e as emoções”, completou.
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| Ricardo Lacerda, vice-presidente do Conselho do IBGC. | Foto: Divulgação / Firjan. |
Diálogo e sucessão nas empresas
Acredito que 100% dos embates relativos à condução de um empreendimento resultam em perda de valor. Então, dialogue à mesa, porque a grande ameaça é a perda de valor do negócio. A necessidade de que, na conversa, possamos trabalhar preventivamente com relação a reações. Tânia Almeida, diretora-presidente do Mediare, durante sua masterclass.
Na abertura da programação, a masterclass ministrada por Tânia Almeida, diretora-presidente do Mediare, colocou a comunicação no centro do processo sucessório, definindo-a como um verdadeiro ativo estratégico para a longevidade dos negócios. Com a autoridade de quem atua na facilitação de conversas em cenários multifatoriais, a especialista indicou que a sucessão é um processo intergeracional e contínuo que exige equilibrar manutenção e mudança.
Tania explicou que muitos ruídos surgem porque as pessoas falam de lugares diferentes. “Temos as vozes da rede de pertencimento, que não se refere a redes sociais, mas sim a um sentido de pertencimento que existe nas empresas familiares. Nós temos as vozes das mães, dos pais, dos cônjuges, dos cunhados, dos parentes. São vozes muito importantes e, às vezes, alguém está à mesa em uma tomada de decisão, mas está representando múltiplas vozes”, concluiu.
Convivência entre gerações na gestão
A sucessão na Camorim Serviços Marítimos exemplifica os desafios e a maturidade exigidos na sucessão familiar entre pai e filho. De um lado, Carlos Renato Penna de Carvalho, conhecido como Carlinhos, presidente da empresa, fundou o negócio ancorado na proximidade com o cliente e na valorização humana dos colaboradores. São princípios que sustentaram a operação até hoje. O segredo do alinhamento entre as gerações, segundo o empresário, está no equilíbrio estratégico. Valor que o filho Eduardo Adami, vice-presidente, traduziu como “profissionalizar sem perder a essência”.
Pai e filho falaram no primeiro painel “Entre Tradição e Futuro: Um Novo Olhar para os Desafios das Empresas Familiares”. A moderadora foi Ylana Miller, fundadora e CEO da Yluminarh, empresa de consultoria em desenvolvimento humano e organizacional.
A maturidade da transição mostra que a sucessão não é um evento estático, mas um processo contínuo de coexistência, em que o respeito à história impulsiona a inovação do futuro. Eduardo Adami, vice-presidente da Camorim Serviços Marítimos.
Para Carlinhos, abrir espaço para outra geração significa reconhecer as limitações da gestão tradicional e dar autonomia para que o sucessor traga o nível de controle corporativo que a empresa exige ao crescer e reconhecer as limitações de seu perfil, mais focado no comercial, e dar autonomia para a entrada do sucessor. “Eu sabia da importância que a empresa precisava se profissionalizar. Não tinha como fazer. Não era da minha praia encontrar o caminho. E ele entrou nesse momento, mandou ver”, contou.
Eduardo Adami destacou que o maior aprendizado da segunda geração na empresa (à qual pertence) foi conquistar o próprio espaço de liderança sem o peso da comparação com o fundador. “Não me cobro para ser igual a ele. Somos muito diferentes”, frisou. Para o executivo, o papel do herdeiro é somar competências complementares e projetar os próximos 30 anos.
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| Carlos Renato e Eduardo durante apresentação para os empresários convidados. | Foto: Divulgação / Firjan. |
Transição e legitimidade na gestão
A transição para as gerações seguintes exige provar capacidade técnica e conquistar a confiança do ecossistema da empresa, superando ser apenas “o filho do dono”. Felipe Coelho, CEO do Grupo Dafel, lembrou durante o segundo painel “A Nova Geração como Protagonista do Negócio” que sua legitimidade foi construída na operação diária, passando por todas as áreas até assumir o comando.
Já Isadora Bittar Floriani, da terceira geração à frente do Laboratório Bittar, buscou no mercado e na atuação em conselhos externos a sua capacitação. Assim, sentiu-se pronta para reestruturar a empresa familiar. “A legitimidade, ela talvez não tenha vindo de dentro, mas ela veio muito mais num entendimento de como fazer, como conduzir, como lidar, e isso tudo é muito menos ego e muito mais um certo pragmatismo”, comentou.
Leia reportagem da Carta da Indústria sobre sucessão familiar
Inovação para além do legado
A perenidade da empresa exige utilizar a tradição como base para a inovação, em vez de engessar o negócio em modelos ultrapassados. Felipe Coelho destacou o perigo de se paralisar diante do histórico da família. “Olhar para o futuro respeitando o legado. Se você tem uma cultura forte em que você vai mantendo rituais e questões para manter e perenizar a cultura, você tem uma excelente plataforma. Mas isso, por si só, não garante longevidade e a construção de futuro, mas já vimos empresas morrerem abraçadas na sua cultura e no seu legado. O legado, a herança, a tradição, a história ajudam muito, mas isso tem que ser feito como uma plataforma e não como o edifício todo”, contextualizou.
Membro da coordenação do Capítulo Rio do IBGC, Vanessa Pina destacou que a parceria estratégica com a Firjan IEL é fundamental para desmistificar e levar a governança corporativa diretamente às pequenas e médias empresas familiares. Segundo a executiva, a união entre a inteligência técnica do IBGC e a força da rede de associados da Firjan permite fortalecer a âncora da economia fluminense e nacional, transformando a gestão e garantindo a sustentabilidade dos negócios rumo ao futuro.
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