
Rodrigo Santiago, presidente do Conselho de Relações Internacionais da Firjan e vice-presidente da Firjan CIRJFoto: Paula Johas
O fortalecimento das relações econômicas entre Brasil, Bélgica e Luxemburgo, com foco em energia, infraestrutura, logística portuária e economia do mar, marcou o encontro realizado na Casa Firjan, nesta quinta-feira, 22/1. O evento “Belgalux-Brasil, conectando energia, infraestrutura e portos” reuniu autoridades governamentais, representantes diplomáticos e lideranças empresariais dos países envolvidos, reforçando o papel da cooperação internacional num cenário global de incertezas geopolíticas e econômicas.
Rodrigo Santiago, presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da Firjan, destacou, na abertura, a relevância do diálogo institucional e das parcerias de longo prazo: “Reunimos Brasil, Rio de Janeiro, Bélgica e Luxemburgo em torno de agendas absolutamente centrais para o nosso desenvolvimento.” Segundo ele, temas como energia e infraestrutura estão presentes em agendas globais e assumem caráter ainda mais estratégico para o estado.
“Na política, os ventos mudam, mas as relações econômicas e os investimentos industriais são seculares, baseados em confiança e valor agregado”, ressaltou Santiago, que também é vice-presidente da Firjan CIRJ. Ele lembrou ainda que a Bélgica é parceira histórica do Brasil desde 1834 e figura hoje entre os 20 maiores investidores estrangeiros no país, com mais de US$ 20 bilhões em ativos, muitos deles no Rio.
Áreas como portos, logística e economia do mar concentram ativos de classe mundial no estado, de acordo com o executivo. “O Rio tem um ambiente científico robusto e recursos humanos ímpares, mapeados nos estudos do ‘Rio do Futuro’, que já despertam o interesse de investidores belgas”, disse.
O presidente da Câmara de Comércio Belga-Luxemburguesa no Brasil (Belgalux), Damien Crimmelprez, destacou a retomada da atuação da entidade no Rio. “É um grande prazer iniciar uma nova fase da Belgalux. Queremos mostrar o melhor da Bélgica e de Luxemburgo aqui no Brasil”, afirmou. Fundada em 1938, a entidade tem como missão fomentar o crescimento de seus associados.
“O valor de uma câmara de comércio está em ajudar as empresas a prosperar, por meio de networking e troca de informações”, disse Crimmelprez, anunciando também a chegada de um novo diretor para a unidade fluminense.
Representando o governo estadual, o subsecretário de Energia e Economia do Mar, Sergio Chaves Jr., destacou o protagonismo fluminense no setor. “O Rio de Janeiro tem a única secretaria de estado do Brasil dedicada exclusivamente à energia e à economia do mar, concentrando cerca de 60% da produção nacional nesse segmento”, afirmou.
Segundo ele, a indústria de óleo e gás seguirá relevante, financiando a transição energética. “O Rio tem uma vocação natural para liderar projetos inovadores, como a energia offshore”, destacou. Chaves Jr. citou iniciativas como projetos-piloto de eólica offshore, biometano, mobilidade elétrica, eletrificação de portos e corredores sustentáveis, além de avanços regulatórios que reduzem em até 75% o tempo de licenciamento ambiental.
“Isso dá previsibilidade, segurança jurídica e agilidade aos investimentos”, afirmou ele, ressaltando também programas de qualificação profissional e formação de jovens voltados à cultura oceânica.
A cônsul-geral da Bélgica no Rio de Janeiro, Caroline Mouchart, reforçou a visão de longo prazo da cooperação bilateral. “A Bélgica nunca optou pelo sprint, mas pela maratona: uma presença contínua, com foco em setores específicos e investimentos concretos”, afirmou. Segundo ela, 2026 será um ano desafiador e exigirá parceiros sólidos.
A diplomata ressaltou o papel da Belgalux como elo entre empresas e lembrou iniciativas recentes, como cartas de intenção entre portos belgas e brasileiros para criação de corredores verdes. “É mais do que nunca o momento de reforçar redes e aproveitar novas oportunidades”, disse, citando também o avanço do acordo União Europeia–Mercosul.
Na mesma linha, a conselheira econômica e comercial da Flanders Investment & Trade (FIT), Claudia Rolim, frisou a sinergia entre Brasil e a região de Flandres. “Energia, infraestrutura e portos são pilares da economia flamenga e áreas onde acumulamos forte expertise industrial e tecnológico”. Ela anunciou a realização, em março, de uma nova missão empresarial brasileira à Bélgica, com foco em energia eólica offshore e descarbonização portuária: “O objetivo é aproximar ainda mais o ecossistema belga-brasileiro e fomentar parcerias duradouras.”
O conselheiro econômico e comercial da região de Bruxelas, Dieter Poleyn, anunciou a inauguração da nova antena da Belgalux no Rio como símbolo de um novo ciclo de cooperação: “Não é apenas um ato simbólico, mas a construção de uma nova ponte entre Bélgica e Brasil.” Para ele, o Rio se consolida como plataforma estratégica para logística, exportações e transição energética. “Empresas belgas e brasileiras podem desenvolver juntas soluções inovadoras em energia verde, modernização portuária e logística sustentável, gerando crescimento de longo prazo”, concluiu.