Na avaliação da Firjan, o crescimento de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre de 2026, em comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, confirma a perda de ritmo da economia. O resultado sucede a expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano e evidencia os efeitos de condições financeiras ainda restritivas, que encarecem o crédito e limitam os investimentos produtivos.
Diante desse cenário, a federação afirma que fortalecimento da credibilidade fiscal e cumprimento das metas do arcabouço fiscal são essenciais para permitir uma redução sustentável dos juros e ampliar os investimentos produtivos. “A coordenação entre as políticas fiscal e monetária, acompanhada de avanços na infraestrutura e no ambiente de negócios, é fundamental para elevar o potencial de crescimento do país. Sem esses avanços, a economia tende a permanecer em ritmo moderado, com juros elevados por mais tempo e menor capacidade de sustentar um ciclo de crescimento mais robusto”, sustenta o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desaceleração alcançou os principais setores da economia, com o crescimento concentrado nas atividades ligadas a commodities. Enquanto a agropecuária avançou 2,8%, os serviços cresceram apenas 0,2% e a indústria permaneceu praticamente estagnada, com alta de 0,1%.
O desempenho industrial foi sustentado exclusivamente pela indústria extrativa, que cresceu 3,4%. Sem esse resultado, a indústria teria recuado no trimestre, diante das quedas registradas na transformação (-0,4%) e na construção (-0,4%). O resultado reforça que a atividade industrial segue sem uma recuperação disseminada, sobretudo nos segmentos mais sensíveis aos juros.