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Fabricação digital cria oportunidades, estimula a inovação e aumenta a produtividade

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Publicado em 29/04/21 13:43  -  Atualizado em  03/05/21 10:33

Reportagem especial da Carta da Indústria

A GE Celma, unidade da GE Aviation, em Petrópolis, Região Serrana, criou um núcleo que trabalha com processos de melhoria contínua, fabricando peças personalizadas e de suporte. Desde 2015, a GE já explora a manufatura digital, produzindo bico injetor de combustível e outros componentes para motores aeronáuticos. “Isso é muito inovador”, reconhece Gabriel Kinast, gerente de Operações da empresa.

Um produto passa por várias etapas de engenharia até chegar a um desenho perfeito. “Com a manufatura aditiva, tem mais possibilidade de conseguir o desenho perfeito. É um método de fabricação com modelos criados em meio digital. Se usasse os métodos tradicionais de torneamento e fresagem, por exemplo, levaria muito mais tempo”, ressalta Kinast.

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Na revisão e reparo de motores aeroviários, a GE usa as impressoras 3D para ampliar o leque de produtos. “Custo, qualidade e prazo são os três pilares que sustentam a manufatura aditiva. Usamos termoplásticos, fibra de carbono e outros materiais. A fabricação digital reduz o tempo de produção de uma ferramenta e o custo. Além disso, as ferramentas mais leves facilitam o trabalho”, acrescenta Guilherme Assumpção, engenheiro de Reparos da GE Celma.

Os ganhos de produtividade são significativos na empresa. Usa-se fita de mascaramento para aplicação de revestimentos protetivos, lubrificantes e durante o reparo de alguns materiais compósitos. Por exemplo, com um dos modelos de máscara feita pela impressora 3D, o trabalho de aplicação foi reduzido de duas horas para poucos minutos. “Ideias semelhantes são testadas e produtos são criados, gerando melhorias de qualidade”, conta Kinast.

Produtividade e inovação

Felipe Meier, presidente do Conselho Empresarial de Competitividade da Firjan, observa que a transformação digital está cada vez mais presente no dia a dia do brasileiro, impactando diretamente na otimização da produtividade, comunicação, relacionamento com os clientes e diversas outras formas que a imaginação permitir. “A pandemia acelerou o processo da transformação digital em diversos setores. As inovações provenientes dessa forma de trabalho tornarão os processos produtivos mais eficientes. Surgirão novas formas de se fazer negócios. As possibilidades serão tantas que, atualmente, somos incapazes de prevê-las em sua totalidade”, avalia ele, que também preside o Sindicato da Indústria de Eletrônica, Telecomunicações, Componentes e Similares do Estado do Rio de Janeiro (Sinditec).

“A fabricação digital é a transformação digital aplicada à manufatura. Uma forma de produzir usando tecnologias computadorizadas. É feita uma ligação entre o desenho no computador e a máquina que produz”, explica a instrutora Rozeani Araujo, líder do FabLab (laboratório de fabricação digital) da Casa Firjan.

O tema está estreitamente relacionado à inovação, já que as tecnologias de fabricação digital têm o poder de acelerar a criação feita pelas empresas. É possível testar as ideias e os propósitos de forma rápida e validar no mercado, para ver se o produto é bom de fato. Isso potencializa o processo de inovação, analisa Rozeani. Segundo ela, qualquer empresa pode adotar a fabricação digital, incorporando os elementos de inovação por conta própria para resolver suas necessidades. Quem investe, ainda reduz custos e ganha flexibilidade.

 

MODELOS DE NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES DA FABRICAÇÃO DIGITAL
Coprodução com o usuário
Fabricação sob demanda
Inovação aberta
Experimentação de novas formas e materiais
Otimização da produção
Produção descentralizada
Personalização

Fonte: FabLab da Casa Firjan

 

Há várias técnicas disponíveis. É possível desenvolver quase tudo: de capinha para celular até casas pré-moldadas construídas com impressora 3D. Na manufatura aditiva, com uma impressora 3D, adicionam-se materiais para criar objetos, como bioplástico para desenvolver uma peça de decoração, ou, como faz a GE, termoplástico para fabricar ferramentas. Já na manufatura subtrativa, com uma fresadora CNC, ocorre o oposto. Coloca-se, por exemplo, um bloco de madeira na máquina e ela vai esculpindo até alcançar a forma desejada.

Rozeani sugere que os empresários interessados na fabricação digital comecem abrindo um ambiente de experimentação nas empresas para solução de problemas. Depois, as novas tecnologias devem ser introduzidas, num espaço para treinamento e criação.

“O uso de fabricação 3D está cada vez mais comum nas indústrias, que passam, assim, a poder produzir sob demanda. Para nichos é possível começar a explorar a personalização. A fabricação digital acelera o processo de prototipagem. Além disso, o teste é mais rápido e fica mais barato consertar os erros”, analisa Rozeani. Outra facilidade é o preço de uma impressora 3D, semelhante ao de um videogame, o que torna sua aquisição acessível.

 

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Produto da empresa de decoração Casa Z, de Joinville (SC), feito em impressora 3D | Foto: Divulgação

 

Novos produtos no mercado 

A produção sob demanda e com baixo custo foi o que alavancou os negócios da empresa de decoração Casa Z, de Joinville (SC). “Comecei com seis impressoras 3D em casa, em 2017. Agora, temos 72 impressoras num galpão. Já atendi a mais de 1.200 pedidos num mês. Tudo pelo e-commerce e algumas entregas para lojistas de decoração. Somos uma indústria que vende para o consumidor final”, descreve o designer Bruno Boas, fundador da Casa Z, que tem agora outros dois sócios, que cuidam do Marketing e do Financeiro.

A fábrica utiliza um material biodegradável, o PLA, derivado do amido de milho ou da cana-de-açúcar, para produzir vasos e outros objetos de decoração sob demanda. O portfólio da Casa Z tem mais de 200 modelos únicos. “Na impressora 3D, desenvolvo, imprimo algumas vezes para corrigir falhas, fotografo e não necessito de estoque. Só produzo para atender aos pedidos e não preciso de investimento inicial para lançar novos itens. O risco é menor que na indústria tradicional”, comemora Boas.

A oportunidade de personalização tem sido usada em alguns negócios, como a produção de palmilhas. Se o usuário tem acesso a um aplicativo de celular, escaneia o próprio pé e a empresa imprime a palmilha específica para o consumidor. Roupas personalizadas também podem ser feitas dessa forma, escaneando o corpo da pessoa. “Muda a lógica de consumo. O tecido foi cortado no laser e costurado na máquina tradicional. Todo esse fluxo de arquivo só é possível por conta da internet. Celular é um computador de bolso para mandar as informações para a empresa”, ressalta Rozeani.

No FabLab, os interessados aprendem, trocam experiências e podem alugar equipamentos, a preços acessíveis, para criar seus produtos. Foi assim que o engenheiro eletricista e de sistemas Bernardo Brenande começou. Por seis semanas, ele fez testes no FabLab da Casa Firjan até chegar ao modelo ideal de suporte para controle de videogame, em 2019. Depois passou a alugar horário no Corte a Laser e produziu dezenas de unidades. Ele pretende empreender e prioriza o uso do FabLab da Casa Firjan. “Existem outras oficinas, mas o ambiente não é o ideal. O interessante no FabLab é o contato com outros profissionais, o que propicia o surgimento de novas ideias, ressalta Brenande.

DICAS PARA O EMPRESÁRIO ADOTAR A FABRICAÇÃO DIGITAL
1. Comece com a cultura, e não com a tecnologia. Crie ambiente de experimentação, estimulando colaboradores curiosos e capazes de resolver os problemas, sem medo de errar. Nesse primeiro momento, use materiais baratos, tipo papelão, para fazer os protótipos.
2. Insira as novas máquinas como mais uma ferramenta para as pessoas poderem criar.
3. Tenha um espaço de treinamento e investigação contínuo. As pessoas precisam ter liberdade para estudar e resolver os problemas do dia a dia. Muitas vezes, é possível resolver questões apenas com o uso de um software e o compartilhamento com colaboradores de áreas diferentes.
4. Crie um banco de projetos. Outra pessoa da empresa pode fazer um upgrade ou consertar uma peça que quebrou, por exemplo, o que acelera a resolução dos problemas.

 

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Suporte para controle de videogame feito no FabLab da Casa Firjan | Foto: Divulgação

 

TECNOLOGIAS BÁSICAS DISPONÍVEIS NOS FABLABS DA FIRJAN
CORTE A LASER
Capaz de realizar cortes em madeira, acrílico e até tecido, através de um feixe de luz de alta precisão
CORTE COM A ROUTER CNC
Através de uma ferramenta com vários tipos de corte, fabrica peças em 3D ou 2D de inúmeros materiais
IMPRESSORA 3D
Adiciona material plástico de camada em camada ou até mesmo impressão 3D com resina, para criar as mais complexas peças
PLOTTER DE VINIL
Gera um corte de precisão, criando diversos projetos de adesivação e sinalização de ambientes, veículos, peças e ferramentas
ESPAÇO DE ELETRÔNICA COM IOT E ARDUÍNO
Gera movimentação, iluminação e automatização de qualquer criação

 

Curso de Fabricação Digital da Firjan IEL
A Firjan IEL também oferece um curso de Fabricação Digital. A formação é destinada a lideranças e profissionais interessados em compreender as aplicações tecnológicas da transformação digital na área de manufatura, dando destaque às sete oportunidades de inovação mapeadas através de estudos de caso. Acompanhe o site e seja informado sobre as inscrições para o curso, previsto para o segundo semestre deste ano.

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