O Conselho Empresarial de Infraestrutura da Firjan reuniu-se, em 8/10, com o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, e representantes do Ministério dos Transportes e da concessionária Elovias S.A. Pela primeira vez, a empresa responsável pela gestão do sistema rodoviário BR-040/495 (Rio–Juiz de Fora) apresentou publicamente o projeto e o seu novo cronograma das intervenções (que está em fase de aprovação pela ANTT) para uma das rodovias mais estratégicas para a cadeia produtiva e indústria do Estado do Rio.
Embora o prazo contratual para a conclusão das obras seja novembro de 2030, a agência e a concessionária trabalham com a perspectiva de antecipar as entregas para 2029, condicionada ao avanço dos projetos, do licenciamento ambiental e da execução das intervenções.
A reunião representou mais um marco da Firjan em cumprir a sua missão institucional de unir os principais atores da gestão pública e do setor produtivo para destravar gargalos históricos de logística na infraestrutura fluminense. O encontro foi conduzido pelo presidente do Conselho, Mauro Viegas Filho, que enfatizou o papel da federação em articular prazos viáveis para demandas da sociedade.
“Projetos de infraestrutura são projetos de Estado e não podem ser impactados pela alternância de governos. Estamos diante de um pleito que lutamos há 11 anos, que é a nova pista de subida da Serra de Petrópolis, trecho de uma rodovia estratégica para o desenvolvimento e a competitividade da indústria fluminense”, afirmou.
Guilherme Theo Sampaio ressaltou o caráter de continuidade das agências reguladoras e esclareceu a meta contratual de conclusão das obras da Serra de Petrópolis. “A ANTT é uma agência de Estado. Projetos de infraestrutura necessitam ter a sua blindagem e a sua efetivação. O que está previsto no contrato é a entrega até o quinto ano, ou seja, até novembro de 2030. Pelos esforços e pelo cronograma que nós estamos prevendo, há chances de acontecer a entrega pelo menos um ano antes. Ao invés de você ter o fator D, que é o desconto por descumprimento, nós implementamos o fator A, para que a concessionária que cumpre a obrigação de forma antecipada possa ter bonificação e estímulo”, explicou.
O trecho concedido tem 218,9 quilômetros de extensão, compreende nove municípios entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, incluindo a BR-495, entre Petrópolis e Teresópolis, e atravessa a Reserva Biológica do Tinguá (Rebio). Segundo a subsecretária substituta de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, Camila de Lourdes, vem sendo feito acompanhamento constante das licenças ambientais pela pasta para assegurar a tramitação prioritária das intervenções pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Esse processo está sendo olhado com muito cuidado. Nisso, o próprio Ibama, em parceria conosco, está buscando as soluções para a Elovias. Desta forma, essa demanda já está no rol das prioridades do Ministério e do próprio Ibama, que já está colocando a pauta na fila de começar a análise em novembro”, complementou.
Avanços no projeto
O CEO da Elovias, Guilherme Motta, apresentou as frentes de trabalho da concessionária e anunciou a formalização do pedido ao Ibama para antecipar o tratamento da estrutura já perfurada no trecho da serra. “Tão logo a Elovias ganhou a concessão, a primeira contratação foi de dois grandes engenheiros para trabalhar na solução desse projeto. Nossa expectativa é começar o tratamento da escavação do túnel, já no mês que vem. Atualmente estamos protocolando uma carta no Ibama pedindo autorização para entrar na subsidência. É um serviço produtivo que estava previsto no edital para começar em abril. Mas estamos querendo que comece até o final de novembro deste ano”, explicou.
Ao falar sobre a construção de um novo túnel de 4 quilômetros de extensão, Motta detalhou o método de engenharia que aproveitará os acessos existentes para multiplicar as frentes de escavação simultâneas e acrescentou os benefícios. Conforme explicou, serão 17 interligações para abrir caminho de serviço e várias frentes para antecipar o túnel novo, trazendo benefícios como segurança a veículos, atuações com rapidez em casos de sinistros, pois haverá interligações entre o túnel existente e o novo.
Construção de túnel e atenção ao meio ambiente
A concepção técnica da solução foi apresentada pelo diretor de Engenharia e Operações da Elovias e idealizador da proposta, Adir Borges, e pelo gerente de Engenharia, Douglas Meneghetti. A reformulação substitui o antigo túnel de serviço por um novo túnel rodoviário completo, criando um sistema binário com galerias independentes para subida e descida.
“O edital previa a conclusão do túnel existente de subida e um túnel auxiliar de seção menor, um túnel de serviço. A solução proposta pela Elovias é fazer a substituição dos túneis de serviço por um túnel rodoviário que mantenha a seção do túnel do edital, com três faixas de rolamento. O sistema vai funcionar como binário, com o túnel de subida e, paralelo a ele, distante 40 a 50 metros, o túnel de descida. A cada 250 metros, respeitando as normas, você tem uma interligação entre eles”, explicou Adir.
Por sua vez, também falando sobre a construção do túnel, considerado um dos pontos mais sensíveis das obras, Douglas Meneghetti disse que o projeto verificou a questão do túnel de serviço do edital: “A seção dele demandaria muito esforço de escavação e depois seria aproveitado apenas para equipamentos de resgate. O traçado no túnel é geometricamente muito melhor, permitindo velocidade diretriz superior. Os túneis estão totalmente fora da área da Rebio”.
Saiba mais sobre os benefícios da proposta:
- Redução do tempo de viagem também no sentido Rio de Janeiro.
- Menor impacto ambiental em comparação à solução de correção geométrica prevista para o trecho, minimizando os riscos de geotecnia.
- Menor impacto ao fluxo de veículos, com execução de serviços fora do traçado em operação.
- Execução das obras em área externa à Rebio.
- Potencial redução do índice de acidentes no trecho de Serra.
- Novo sistema mitiga o risco de acidente com cargas perigosas na Rebio e segrega o tráfego local de longa distância (pesados).
- Condição mais favorável para atualização das licenças ambientais e início dos serviços.
- Possibilidade de utilização do atual trecho de descida da Serra para tráfego urbano (Quitandinha ↔ Bingen), servindo ainda para situações de contingência operacional ou manutenção do túnel.
- Fluidez adequada aos requisitos contratuais.
Cronograma
Novembro de 2026: Início da análise do processo pelo Ibama e envio do protocolo de autorização pela Elovias para dar início imediato às obras de subsidência no túnel.
15 de dezembro de 2026: Protocolo final do anteprojeto e projeto executivo revisado na ANTT.
2º Semestre de 2027 (julho/agosto): Início da entrada de maquinário para a perfuração e escavação pesada das novas frentes.
Outubro de 2028: Conclusão do tratamento estrutural e reforço da subsidência.
Final de 2029 a novembro de 2030: Meta de entrega das obras entre o fim de 2029 e o início de 2030, sob o limite regulatório estipulado no contrato de concessão para novembro de 2030.