
Ela Inspira: Carla Pinheiro, presidente de Conselho de Mulheres da Firjan.Foto: Paula Johas / Firjan
De 2020 até o ano passado, o número de mulheres na indústria fluminense cresceu 70%. Apesar de ter atingido seu maior nível histórico, a participação feminina neste setor ainda é menor se comparada a outros. Em 2025, o percentual no estado do Rio de Janeiro é de 22,3%, ou seja, 188 mil industriárias.
Esses foram dados citados durante a mesa “Mulheres na Indústria” no Ela Inspira, evento realizado nesta terça-feira, 28/4, pelo jornal O Globo com apoio da Firjan SESI. As informações são destaque na Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense, publicada no mês de março e produzida a partir de entrevistas com 130 empresas e de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.
Acesse a pesquisa completa no Observatório Firjan
Precisamos investir na mudança organizacional, por meio da capacitação e de projetos voltados exclusivamente para as mulheres. Carla Pinheiro, presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan.
A conversa de abertura foi mediada pela jornalista Joana Dale e contou com a presença de Carla Pinheiro, presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan, e de Eliane Damasceno, gerente de Responsabilidade Social da Firjan SESI.
“As empresas que têm o olhar sobre a diversidade e capacitação das mulheres observam resultados muito positivos. Precisamos investir na mudança organizacional, por meio da capacitação e de projetos voltados exclusivamente para as mulheres. É um movimento que está em ascensão”, declarou Carla.
“Mulheres compõem mais de 50% da sociedade. Se o empregador não enxerga isso, ele terá problemas em seus negócios. É nosso papel ser tradutor e dar o recado: não perca a oportunidade de ter uma excelente profissional. Temos tido boas experiências em projetos realizados pela Firjan SENAI SESI, como o Escritório de Carreira, em que empresas contratantes têm a possibilidade de buscar, em um vasto banco de dados, profissionais - inclusive mulheres - que só precisam de uma oportunidade”, completou Eliane.
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| A jornalista Joana Dale (à esquerda), Carla Pinheiro e Eliane Damasceno. | Foto: Paula Johas / Firjan. |
Exemplo de inserção feminina na Indústria
Logo após a pandemia, Gabriella Nascimento estava desempregada. Mãe e única responsável financeira de três filhos, sendo um deles diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ela encontrou um novo propósito de vida. A Michelin buscava talentos para o projeto Técnicos do Futuro, realizado em parceria com a Firjan SENAI Santa Cruz. Em outubro de 2023, Gabriella se tornou aluna do curso de Eletricista Industrial. E, hoje, é técnica de Manutenção Elétrica da Michelin.
“Até então, a Indústria e a Elétrica eram universos paralelos aos quais eu nunca imaginei pertencer”, relembra. Após quatro meses de estágio, veio a notícia: a efetivação na Michelin. “Hoje, completo um ano de jornada na área técnica. Quando uma mulher avança, não avança sozinha. Ela abre caminhos para muitas outras”, garantiu ela, que, atualmente, é graduanda de Engenharia de Software no Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi).
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| Gabriella Nascimento (de branco) na plateia do Ela Inspira. | Foto: Paula Johas / Firjan. |
Quando uma mulher avança, não avança sozinha. Ela abre caminhos para muitas outras. Gabriella Nascimento, técnica de Manutenção Elétrica da Michelin e ex-aluna da Firjan SENAI.
O intervalo de tempo no qual Gabriella conseguiu seu emprego atual condiz com o período de crescimento da participação feminina nas atividades industriais. Porém, em dez anos, a força de trabalho das mulheres representou um aumento de 3,3%, o que revela que a indústria do Rio continua sendo um espaço majoritariamente masculino.
“Precisamos caminhar muito, pois 22% é uma porcentagem ainda baixa. Mas a história da Gabriella já não é uma exceção. Ouço a história dela e fico emocionada. Vejo que isso pode abrir a mente do empresariado. Neste momento, o que mais tem me inspirado é fomentar mais mulheres em cargos de liderança. Essa será a grande mudança”, reforçou Carla Pinheiro.
“A história da Gabriella é a de uma mulher que vem da jornada de mãe solo e que não enxergava na Indústria um lugar para estar. Ela viu esta oportunidade na Michelin, que tem um trabalho muito consistente com a população do entorno de sua fábrica, na zona oeste do Rio de Janeiro”, finalizou Eliane.