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Com inscrições abertas para a terceira edição, Prêmio Rio de Letras movimenta escolas do RJ

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Publicado em 06/07/2026 15:58  -  Atualizado em  06/07/2026 16:26

As possibilidades da escrita criativa têm movimentado as Escolas Firjan SESI e a rede pública estadual do Rio de Janeiro desde que foi lançado o Prêmio Rio de Letras. A iniciativa é uma parceria entre Firjan SESI, Academia Brasileira de Letras (ABL) e Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). As inscrições da terceira edição estão abertas e pode ser feitas até o dia 17/7. Clique aqui para acesar o edital e fazer sua inscrição.

Neste ano, o tema escolhido foi “Inteligência Artificial e Criatividade”. A premiação é voltada a estudantes do Ensino Médio, e cada participante pode submeter somente um trabalho, escolhendo entre as categorias Poesia (textos de até 2 mil caracteres), Crônica (até 3 mil caracteres) e Conto (até 4 mil caracteres).

Entre as regiões mais vencedoras, nas duas primeiras edições, está o Sul Fluminense, com 22 prêmios. Um deles foi o bicampeonato, na categoria Crônica, do estudante Fellipe Spínola, pelo Colégio Estadual Engenheiro Passos, de Resende.

Fellipe sempre gostou de se expressar, especialmente por meio da música, por isso já vinha arriscando alguns textos. Assim que soube do prêmio, recebeu incentivo na escola. “A professora disse que estava decidida a me inscrever e pediu que preparasse um texto. Em dois dias escrevi algumas crônicas e ela escolheu uma”, recorda.

Logo na primeira participação, quando estava no segundo ano do Ensino Médio, Fellipe foi campeão. Foi uma surpresa, conta o estudante, que lembra de forma especial do momento em que recebeu o resultado e da cerimônia de premiação, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. “Eu não imaginava nem que seria finalista. Quando a professora contou, foi um choque. Meus familiares ficaram felizes. Um pouco surpresos também – não por não acreditar em mim, mas pela magnitude desse prêmio”, explica. O tema do ano era História da Diversidade, e a crônica premiada chamava-se “Letargia e inclusão”.

O bicampeonato veio já na edição seguinte, com um texto sobre a relação dos seres humanos com o meio ambiente. Atualmente Fellipe cursa Farmácia na Associação Educacional Dom Bosco (Resende), mas garante que a decisão não significa deixar a escrita de lado, pelo contrário: a escolha, explica, se deu para que as formas de se expressar continuassem como um hobby, mas levado a sério.

Expectativa dos estudantes

A professora Rafaela Rabello, que ministra aulas de Língua Portuguesa, Redação e Literatura na Escola Firjan SESI Petrópolis, saúda a possibilidade de colocar os estudantes em contato com a escrita criativa – e com a chance de conhecer lugares novos. “Nós somos do interior e, para muitos, foi a única oportunidade de conhecer o Theatro Municipal, estar lá dentro e participar de um evento dessa grandiosidade”, destaca.

Segundo ela, o prêmio é aguardado com grande expectativa pelos alunos, que ficam curiosos sobre o tema e acabam até criando uma competição informal entre eles. Quando o edital é lançado, a equipe da escola prepara um evento em que reúne os estudantes interessados e explica como vai funcionar.

A participação de grandes figuras na cerimônia é outro incentivo. Rafaela lembra da alegria dos estudantes quando os apresentadores, o ator Lázaro Ramos e a escritora Thalita Rebouças, subiram ao palco. Nesse mesmo sentido, a apresentação, por vídeo, de imortais da ABL sobre os diferentes tipos de texto também impressionaram os postulantes ao prêmio.

Para este ano, há otimismo. “O tema é bem interessante. Apesar de ser difícil para escrever, tivemos textos bem criativos e vimos que, sendo estimulados, eles conseguem”, observa Rafaela.

Preparação dos estudantes

Muita coisa acontece antes que os textos sejam submetidos ao prêmio. Em Duque de Caxias, o professor de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Estadual Alexander Graham Bell, Carlos Henrique Afonso Khoury, estuda minuciosamente o edital antes de conversar com os estudantes. A instituição convoca um evento com essa finalidade, onde ele aponta os itens que merecem maior atenção.

Entre os interessados, sempre estão os participantes do Clube da Escrita, coordenado por ele. O foco principal da atividade é preparar os alunos do terceiro ano do Ensino Médio para as redações de vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) – mas o gosto pela leitura e pelo ato de escrever ganha novos contornos. De qualquer forma, todos os interessados passam por um treinamento específico para o prêmio.

“A partir deste momento, eles já são incentivados a produzir. Enviam para mim, que faço os apontamentos necessários e a devolutiva. A seguir, eles retornam, e assim é feito até fecharmos cada participação”, relata o professor. O trabalho é concluído quando ele identifica que o estudante transferiu a própria essência para o texto, pois a originalidade é um dos objetivos principais. A metodologia já levou a instituição ao lugar mais alto do pódio.

Outra unidade que vem se destacando é a Escola Firjan SESI Macaé. A coordenadora de Educação Básica, Rejane Senna, conta que nunca houve um interesse tão grande pelo curso de Escrita Criativa, oferecido há cerca de quatro anos – portanto, anterior à realização do prêmio. Segundo ela, muitos estudantes relatam que isso se deu em função do prêmio. “Temos sempre conquistado medalhas, os trabalhos são reconhecidos. Isso acaba sendo um incentivo para os alunos buscarem mais a leitura e a escrita”, pontua.

O primeiro passo é identificar os interessados. Semanalmente, é promovido um encontro para que falem sobre o processo de criação – um acompanhamento que, segundo Rejane, tem feito toda a diferença. Ao fim desse processo, as professoras responsáveis pela tutoria na participação do prêmio fazem uma seleção dos que serão submetidos. “Os estudantes se apoiam muito, mas têm muita sede de competição, de ganhar, então temos tido resultados muito bacanas”, conclui.

 
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