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Casa Firjan: publicidade é arma contra a desigualdade de gênero

Palestra na Casa Firjan aborda estereótipos negativos e desigualdade de gênero através da publicidade

Palestra na Casa Firjan aborda estereótipos negativos e desigualdade de gênero através da publicidadeFoto: Paula Johas

18/07/19 14:15  -  Atualizado em  18/07/19 14:45

Como a publicidade pode ajudar a construir um mundo mais equânime entre os gêneros? Qual pensamento está por trás das campanhas e como elas reforçam ou quebram estereótipos? Para propor reflexões acerca dessas questões, a Casa Firjan, em parceria e colaboração com o Clube de Criação, sediou, em 16/07, a palestra “Futuro da publicidade: Como desconstruir estereótipos negativos e acabar com a desigualdade de gênero”, como parte do ciclo Aquário.  

Acesse a programação completa da Casa Firjan.

Para Viviane Pepe, diretora Global de Criação e Conteúdo da Avon, as marcas têm o poder de influenciar umas as outras, ditando movimentos de mudança, e isso as coloca em uma missão que vai além da geração de lucro. “Quando uma organização tem um propósito claro, esse compromisso se torna tangível na comunicação do produto e também em projetos relevantes presentes no seu histórico”, destacou.

Exemplo de um desses projetos foi o documentário “Repense o Elogio”, produzido pela Avon, que abordou a desigualdade de gênero sob a ótica dos elogios atribuídos a homens e mulheres desde a infância. “A partir do filme, quisemos estimular a sociedade a refletir sobre a força que as palavras têm desde cedo e como podem ser limitadoras”, explicou.

Diretora de Marca de outra grande organização, a L'Oréal Brasil, Bianca Pi falou sobre a evolução da empresa ao longo dos anos. No início dos anos 2000, a mulher representada pela L'Oréal era alguém em busca da perfeição e que visava agradar ao olhar masculino. Mas foi preciso mudar e evoluir junto com as transformações da sociedade. Para se reconfigurar, a marca retomou a essência do seu slogan original “You´re worth it” (Você merece).

“A importância que o empoderamento feminino ganhou nos últimos anos exigiu que nos repaginássemos. Fomos ao DNA da empresa para recuperar nosso slogan e modernizá-lo. Hoje a mulher L'Oréal é confiante, ousada, poderosa e assertiva. Antes de tudo, ela quer ficar bonita para si mesma e não para o homem. É ela que deseja”, frisou.

Já Morena Mariah, arqueóloga afrofuturista e articuladora na Coordenadoria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial na Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, trouxe o conceito de afrofuturismo para o debate. O termo refere-se a um movimento de retomada dos valores africanos e afro-brasileiros. “No continente africano, a mulher é o centro da casa e da família. E é a matrifocalidade que permite a aceitação do outro como ele é, distanciando-se da estereotipia e caminhando em direção à igualdade”, explicou.

Segundo Morena, para enfrentar a desigualdade de gênero é necessário ainda complexificar o debate. “Não é possível universalizarmos a mulher, porque as realidades e demandas são pluriversais. As soluções que funcionam para um grupo podem não funcionar para outro. Se falarmos de violência de gênero, por exemplo, teremos que falar de raça também, já que o feminicídio negro cresce mais do que o branco. Isso nos obriga a ouvir e abrir novos espaços a serem ocupados por essas pluriversalidades”, assinalou.

Priscila Paranhos, sócia e diretora de Criação da Agência Flex, ressaltou o papel crucial da mulher como líder para combater o cenário desigual entre gêneros. “Como empreendedora, reflito muito sobre a importância do lugar que ocupo, estando à frente de uma agência. Nosso desafio é cultural e somos todos culpados pela cultura do machismo perpetuada, incluindo a publicidade. Mas não tínhamos como mudar isso, porque as mulheres não ocupavam posições de liderança no passado. Hoje sou empreendedora e militante”, disse. 

Luciana Sant’Anna, sócia e diretora de Branded Content da Wide, ponderou que é necessário trazer os homens para a discussão. “Primeiro, precisamos parar de celebrar as exceções. Mulheres na liderança tem que ser algo comum e não mais um caso isolado. No entanto, não se resolve desigualdade de gênero sem convocar todos para o debate. Os homens precisam marcar presença e entender a dimensão dessa causa para lutarmos juntos”, argumentou.
 

 
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