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Casa Firjan debate desafios da humanidade no Festival Futuros Possíveis

Uma das estrelas do festival foi o artista britânico Neil Harbisson, primeiro ciborgue oficialmente reconhecido como tal no mundo

Uma das estrelas do festival foi o artista britânico Neil Harbisson, primeiro ciborgue oficialmente reconhecido como tal no mundoFoto: Paula Johas

11/12/18 16:42  -  Atualizado em  13/12/18 12:50

Inteligência artificial, robôs, realidade virtual, ciborgues... Foi-se o tempo em que era possível se referir a inovações desse tipo com a frase “parece coisa de filme de ficção científica”. Reflexões sobre como a tecnologia já impacta a realidade, hoje, e sobre os desafios da humanidade nos próximos anos tomaram conta da Casa Firjan, durante o Festival Futuros Possíveis (08/12). Uma das estrelas do evento foi o artista britânico Neil Harbisson. Ele é o primeiro ciborgue – parte humano, parte máquina – oficialmente reconhecido como tal no mundo.

Com curadoria do Lab de Tendências da Casa Firjan, o festival reuniu pensadores nacionais e internacionais, além de ter oferecido painéis, oficinas e experiências interativas. “Já faz parte de mim. Está inclusive na foto do meu passaporte”, contou Neil, referindo-se à antena implantada no crânio. Portador de uma deficiência visual (acromatopsia) que só permite que enxergue em preto e branco, ele nunca se convenceu de que essa condição estaria presente para sempre.

Há 14 anos, ele recebeu o olho eletrônico, chamado eyeborg, que o permite “escutar” as cores – tecnologia criada por ele mesmo em parceria com colegas. E mais: Neil conseguiu que as autoridades britânicas aceitassem o aparelho como um órgão pertencente ao seu corpo. Hoje, é cofundador da Cyborg Foundation e da Transpecies Society, organizações que têm como objetivo ajudar os seres humanos a se tornarem ciborgues, tendo liberdade de “autodesign” e de desenvolvimento de novos sentidos e órgãos.

 

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Público acompanhou demonstrações de Neil, cuja antena transforma as cores em sons | Foto: Paula Johas

 

O sensor de sua antena detecta as cores – que são vibrações de luz – e as transmitem para seu cérebro por meio de um chip instalado no crânio. Este chip transforma a vibração de luz de cada cor em uma vibração sonora específica, como notas musicais. A antena também tem conexão com a internet: é possível receber cores, por exemplo, enviadas pelo celular. “Às vezes meus amigos me enviam imagens do outro lado do mundo, via Bluetooth, que eu processo em meus sonhos, vendo-os coloridos”, narrou Neil, que para além das possibilidades visuais do olho humano, também consegue sentir radiações infravermelhas e ultravioletas. Por “escutar” as cores, Neil, que é artista audiovisual, consegue criar arte visual por meio de músicas. “Eu pinto conforme a vibração da música, já que elas representam cores diversas”, contou ele, ao exemplificar como é o processo de criação.

“Eu não sinto que estou usando a tecnologia. Eu sinto que eu sou tecnologia. Não sinto nenhuma diferença entre o software e meu cérebro” - Neil Harbisson, ativista, artista e primeiro ciborgue do mundo.

Segundo ele, ser um ciborgue pode ser benéfico para qualquer pessoa. “Imagine, por exemplo, se os humanos fossem capazes de enxergar bem à noite ou adaptar a temperatura corporal? Não gastaríamos mais tanta energia, melhorando a situação climática do planeta”, exemplificou o ativista.

Tecnologia na sociedade

O exemplo de Neil ainda soa distante para a maioria das pessoas. Porém, a tecnologia já interfere em diversos campos da sociedade - da gestão das cidades até os relacionamentos amorosos. Um exemplo é a Operação Serenata de Amor, projeto de tecnologia que usa a inteligência artificial para auditar contas públicas e auxiliar no controle social. Eduardo Cuducos, sociólogo, desenvolvedor de softwares, pesquisador e cofundador do projeto, participou do Festival Futuros Possíveis, no painel Sociedade intermediada por Tecnologia.

Por meio da robô Rosie, o projeto analisa os gastos reembolsados pela Cota para Exercício da Atividade Parlamentar, de deputados federais e senadores, identificando suspeitas e, por meio do Twitter, incentivando a população a fazer questionamentos. “Acredito que a tecnologia ajuda a potencializar o ativismo, ao permitir que qualifiquemos a informação e façamos as perguntas certas. Nosso objetivo agora é ensinar novos comandos para a Rosie, chegando a outras esferas como as câmaras municipais”, ressaltou Cuducos.

 

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Instalação "Visões de Futuros Possíveis" fez parte do festival na Casa Firjan | Foto: Paula Johas

 

Por sua vez, Fábio Duarte, cientista no Senseable City Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), detalhou iniciativas para melhorar a gestão das cidades: “Produzimos dados, mesmo sem saber. O MIT colhe, por exemplo, amostras de esgoto para identificar bactérias que afetam a população de determinado local e, a partir disso, possibilitar que se pense em ações de saúde pública”.

Outra iniciativa do MIT é o mapeamento da rota do lixo em Seattle (EUA), por meio de etiquetagem e monitoramento, enquanto os objetos se movem no sistema de esgoto. “Percebemos o quanto eles andam e quão ineficiente é o sistema de manejo da cidade. Com esses dados, podemos pensar em como aperfeiçoar esse manejo”, afirmou.

No âmbito de relacionamentos, são diversos os aplicativos já disponíveis, hoje. Um deles é o Sexlog. Mayumi Sato, sócia e diretora da empresa, contou durante o painel que a tecnologia transformou a maneira como as pessoas amam e interagem. “Não se trata de superficialidades, como muitos acreditam, mas sim de novas formas de amar. Estamos em constante mudança em relação”, destacou.

Alimentação do futuro

Entre vários outros pensadores, o Festival Futuros Possíveis também contou com a presença de Peter Kronstrøm, head do Copenhagen Institute for Futures Studies Latin America, também membro do conselho consultivo do Consulado Geral da Dinamarca e do Centro de Inovação Dinamarquês em São Paulo.  Também chamou a atenção a apresentação de Luiz Filipe Carvalho, fundador da Hakkuna, empresa que busca introduzir o uso de proteína de insetos na alimentação humana e que levou grilos para degustação do público.

 

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 Grilos foram levados para degustação do público pela Hakkuna, empresa que busca introduzir o uso de proteína de insetos na alimentação humana | Foto: Paula Johas

 

 
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