
Lançamento do Anuário do Petróleo no Rio 2023 contou com presença de empresários, autoridades e executivos de empresas do mercado de petróleo e gásFoto: Paula Johas
No lançamento do Anuário do Petróleo no Rio 2023 da Firjan SENAI SESI, em 11/7, representantes da federação, empresas, associações, agências e do governo do estado fizeram um balanço das perspectivas de energia para os próximos anos. Luiz Césio Caetano, 1º vice-presidente da Firjan, lembrou a necessidade de se debater a ampliação da oferta de fontes renováveis de energia e reduzir as emissões de carbono na atmosfera. “Hoje, do total de energia consumida no mundo, 35% vêm do petróleo. No Brasil, já temos uma matriz energética de baixo carbono frente a outras regiões globais, mesmo sabendo das oportunidades de aumentar a oferta de fontes renováveis, precisamos precificar esse nosso diferencial”, ressaltou.
O diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Carlos Travassos, salientou a importância do estado do Rio de Janeiro para a empresa – e vice-versa – e trouxe atualizações sobre o plano de investimentos da companhia. “Nossa previsão é de investimento de US$ 18 bilhões até 2027 na Bacia de Campos. Três novas unidades de produção do tipo FPSO entraram em operação este ano e outras duas devem ser entregues até dezembro, todas no litoral fluminense, nas bacias de Campos e Santos. Atualizamos o nosso planejamento e, também para a Bacia de Campos, estamos estudando cinco novas plataformas de produção para além do horizonte de 2028. Além disso, a Petrobras tem trabalhado nas linhas de descarbonização, considerando novas soluções energéticas, como as eólicas offshore”, afirmou o gestor da companhia.
Conheça a apresentação da Petrobras - Cadeia de Suprimentos de óleo e gás
“Após ouvir os planos de investimento da Petrobras, aumenta nossa responsabilidade nos próximos sete anos, que apontam para um novo ciclo de crescimento. Precisamos formar mão de obra e decidir que desafios vamos abraçar para incluir cada vez mais a indústria e os fornecedores fluminenses nos projetos da Petrobras”, ressaltou Karine Fragoso, gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan. Durante a apresentação do estudo, ela ressaltou que a produção de petróleo seguirá relevante ainda por muitos anos e a previsão é que a produção no estado do Rio acumule alta de mais de 100% entre 2019-2029.
O secretário estadual de Energia e Economia do Mar, Hugo Leal, apresentou o cenário energético fluminense, com destaque para o petróleo e novas energias: “A emissão de CO2 por barril de petróleo produzido no Rio é 70% menor que no mundo. Teremos uma transformação da matriz. Os principais investidores serão as petroleiras que estão virando empresas de energia”, resumiu Leal.
Baixe a apresentação da Secretaria estadual de Energia e Economia do Mar do RJ
A PRIO, maior produtora independente de petróleo no Brasil, atua há oito anos em campos maduros da Bacia de Campos. “Geramos valor através de redução de custos, revitalização e aumento de produção no pós-sal. Ainda há muito petróleo a se produzir na região. Focamos em parcerias com fornecedores para fomentar novas empresas e tecnologias. Investimos R$ 3,5 bilhões nesse período e pretendemos investir perto de R$ 5 bilhões nos próximos três anos”, contou Jean Calvi, gerente executivo de Poços & Subsea da PRIO.
Heloisa Borges, diretora de Estudos do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ressaltou que a produção de petróleo não vai acabar: “Projeções de longo prazo de demanda por petróleo mostram diminuição, mas não o fim. Das emissões de CO2 no Brasil, só 30% derivam do mercado de energia; 62% são por uso de terra e agricultura. Isso está ligado diretamente ao desmatamento ilegal”. E, para além disso, a emissão per capita de CO2 no Brasil, dados de 2021, é de menos de 15% do que é emitido pelos EUA e menos de 27% do que é lançado pela China ou pela Alemanha, de acordo com dados do Our World in Data.
Baixe aqui a apresentação da EPE - Posicionamento futuro do petróleo no planejamento energético do país
Já a diretora executiva de Downstream no Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Valéria Amoroso Lima, explicou que downstream está relacionado ao petróleo que consumimos: “O Brasil é o 8º maior mercado consumidor de petróleo do mundo e tem sua infraestrutura de transporte e movimentação de produtos baseada no modal rodoviário. É importante a expansão de ferrovias, oleodutos e portos. Para isso, estima-se investimentos de R$ 120 milhões, o que reduziria em 15% as emissões de CO2 pelo uso de óleo no transporte”.
O superintendente da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Rafael Moura, detalhou a obrigação contratual de investimento de 1% da receita de campos de grande produção e aqueles sob o regime de partilha em pesquisa e inovação: “Em 2022, foram R$ 4,4 bilhões. A produção de petróleo é financiadora da transição energética. Este ano essa medida completa 25 anos. O estado do Rio detém 35% das unidades de pesquisa credenciadas para este fim”, pontuou.
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