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Agrega + Indústria: Firjan promove encontro para destacar oportunidades de fornecimento

Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESI

Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESIFoto: Above Studios

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Publicado em 14/09/2026 15:41  -  Atualizado em  14/09/2026 16:02

Na última sexta-feira (11/9), a Firjan realizou, em conjunto com a ONIP, Abimaq, Abeemar e Sinaval, mais uma edição do Agrega + Indústria, em sua sede, no Centro do Rio. Desta vez, o evento foi destinado ao setor naval. A construção dos navios-plataforma FPSO SEAP II e I (Sergipe-Alagoas Águas Profundas) será realizada no modelo BOT (Build-Operate-Transfer) pela SBM Offshore e entregues para a Petrobras, operadora responsável pelas áreas de produção de petróleo e gás natural, na nova fronteira, situada no Nordeste brasileiro. 

A abertura do evento contou com a participação da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP); da Associação Brasileira das Empresas da Economia do Mar (Abeemar); do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval); e da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Na sequência, foram realizadas apresentações da Petrobras e da SBM Offshore.

Além disso, o encontro teve a aplicação da metodologia do programa da federação Rede de Oportunidades para Fornecedores (RdO Fornecedores), com a realização de reuniões entre potenciais fornecedores e a equipe de suprimentos da SBM Offshore nas mesas tira-dúvidas na parte da tarde. O objetivo do RdO Fornecedores é apoiar a indústria fluminense a se aproximar de modo qualificado dos grandes demandantes e das oportunidades de contratação nos mercados de petróleo e gás natural. Ao todo, foram mais de 60 reuniões realizadas.

Escuta ativa

Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESI, realizou a abertura do evento, representando Alexandre dos Reis, diretor-executivo Operacional do Sistema Firjan e diretor-executivo SENAI SESI. Ela destacou a relevância do evento de proporcionar a escuta ativa dos participantes para uma construção coletiva visando o fortalecimento da cadeia produtiva. 

“Queremos escutar o operador, entender quais são os desafios dele; e os contratados, entender quais são os desafios dos contratados. Nós, como indústria, também podemos falar, mas também ser escutados tanto pelos operadores quanto pelos contratados, para que, de uma forma coletiva e conjunta, possamos construir um resultado melhor para todos nós”, pontuou.

A executiva enfatizou a necessidade de fortalecer a cadeia de negócios. Para ela, a formação de novos conhecimentos, possibilidades e avanços transforma a visão em realidade. “Estamos aqui para que as indústrias brasileiras ocupem espaços estratégicos nas contratações do mercado. Queremos que vocês apresentem suas dúvidas. Não queremos somente estar na operação. Queremos estar no CAPEX e juntos desde o início da curva. A diferença não é somente produzir o óleo. A diferença é participar da produção desse óleo”, disse.

Agregação de valor nacional

A diretora-geral da ONIP, Martha Latermaher, enfatizou a urgência das entidades atuarem como ‘meio de campo’ para diagnosticar entraves e destravar processos do mercado nacional. “O Brasil está em um momento auspicioso; a ONIP tem no seu DNA o Conteúdo Local. Temos boas indústrias e, por isso, temos que operar e trabalhar naquilo que não está funcionando, que não está andando, para fazer bons negócios a partir daqui”, reforçou.

João Azeredo, presidente da ABEEMAR e vice-presidente de comunicação do Sinaval, destacou que o Conteúdo Local não pode ser considerado obrigação acessória a ser substituída pelo pagamento de multa e sem uma política de desenvolvimento. “O Brasil possui uma condição estratégica única: mais de 90% do nosso petróleo está no offshore”, pontuou.

Já o presidente do Conselho de Óleo e Gás da Abimaq, Idarilho Nascimento, alertou para os índices da economia nacional. “Quando olhamos para indicadores macroeconômicos como a queda do PIB, a queda da participação da indústria dentro do PIB, o Brasil importa e exporta cada vez mais commodities, deixando de exportar produtos industrializados. Essa queda que estamos projetando é de 8%; ela é basicamente ocasionada por dois fatores: uma alta taxa de juros no Brasil, com uma Selic de mais de 14%. Isso inviabiliza muito os investimentos. E o segundo ponto fundamental: vários setores vêm sofrendo com as importações desleais da China”, ressaltou.

Projetos e soluções offshore

O cenário dos novos projetos da Petrobras, destaque apontado por Lourenço Fróes, coordenador do Programa para novos FPSOs da Petrobras, é a consolidação do modelo de contratação Build-Operate-Transfer (BOT). O formato, utilizado no contrato dos FPSOs SEAP II e SEAP I, altera a dinâmica do mercado ao fazer com que a companhia pague pela obra durante a fase de construção, enquanto a empresa contratada assume a operação da plataforma nos anos iniciais. 

Além disso, ele explicou que a estratégia de contratar unidades com mais de 90% de similaridade técnica em uma única licitação viabiliza ganhos de escala e sinaliza uma perspectiva de demanda contínua de cerca de dois FPSOs por ano no plano de negócios. “Essa previsibilidade, aliada a novas contratações na revitalização de campos maduros (como Albacora e Barracuda/Caratinga), e às ações de descomissionamento, abre uma importante janela de oportunidades tanto na fase de execução de escopos quanto no suporte operacional de longo prazo”, citou. 

Para apresentar exemplos de soluções operacionais, a gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da SBM Offshore no Brasil, Kássia Paste, contou que, entre os muitos desafios da multinacional no ramo, foi quando se entendeu que havia um gargalo que estava associado à capacidade de definição do casco do FPSO. “Era preciso se antecipar. Foi criado um programa de padronização dos cascos em que se desenvolveu um casco que chama MPF, que nada mais é do que um casco genérico, feito para qualquer tipo de aplicação. Então, padronizamos a fabricação desses cascos e depois os adaptamos às ações necessárias. Nossos projetos no Brasil, o Sepetiba, o Alexandre de Gusmão e o Almirante Tamandaré, todos já são unidades deste programa”, ressaltou.

Cássia explicou que os projetos SEAP II e I contam com módulos integrados de tratamento de gás diretamente nas unidades. Isso permite que o insumo chegue à terra pronto para distribuição, funcionando quase como miniplantas de refino em alto-mar.

"Cada plataforma terá capacidade para abrigar 240 pessoas a bordo, gerando uma circulação estimada de mais de 800 trabalhadores embarcados a partir de 2031, o que demandará mais de 1 mil diárias de hotel por mês e movimentará uma vasta cadeia paralela de serviços em terra, como medicina do trabalho, logística e alimentação. Somadas, as duas unidades terão capacidade para produzir 240 mil barris de petróleo por dia (equivalente a 7% do consumo diário do Brasil), assegurando que o desenvolvimento tecnológico deixe um legado de longo prazo para o país", contextualizou a executiva.

Yuri Migli, supply chain manager da SBM Offshore, pontuou a gestão da cadeia de suprimentos, que, sob a sua liderança, atua de forma proativa para conectar a engenharia global da companhia aos fornecedores locais. Ele enfatizou as iniciativas contínuas de capacitação e mapeamento de mercado para viabilizar as metas dos projetos SEAP II e I, sendo o Conteúdo Local tratado como um valor estratégico permanente. 

Sobre qualificação, ele citou ações da SBM, como o Vendor Days e suporte aos fabricantes. A iniciativa conta com reuniões técnicas porque a empresa entende que o fornecedor precisa conhecer a especificação da SBM com antecedência. “Quando o fornecedor entende o requisito técnico desde o início, ele consegue se preparar melhor, buscar as certificações necessárias e apresentar uma proposta competitiva. O Conteúdo Local e a qualificação de fornecedores caminham juntos", disse. 

 
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