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IFDM Rio: crise econômica afetou nível de emprego na maioria dos municípios

Jonathas Goulart, coordenador de Estudos Econômicos da FIRJAN, anunciou o Índice

Jonathas Goulart, coordenador de Estudos Econômicos da FIRJAN, anunciou o ÍndiceFoto: Vinícius Magalhães

02/07/18 15:41  -  Atualizado em  03/07/18 12:04

Assim como verificado no país, a crise econômica afetou os municípios fluminenses, fazendo seu nível socioeconômico retroceder três anos. A geração de emprego e renda em 57 das 92 cidades do estado do Rio (62% do total) caiu, impactando o  Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal  (IFDM) relativo a 2016, últimos dados disponíveis. O impacto ocorreu tanto pela contração dos postos de trabalho quanto pela desaceleração dos salários, na comparação com o ano anterior.

Referência para o acompanhamento socioeconômico brasileiro, o IFDM monitora três áreas, a partir de estatísticas públicas oficiais de cada setor: Emprego & Renda, Educação e Saúde. A pontuação varia de 0 a 1: quanto mais perto de 1, melhor o nível de desenvolvimento.

Líderes do ranking estadual, Itaperuna e Nova Friburgo foram as únicas classificadas como com alto desenvolvimento, a primeira sobretudo devido à abertura de postos de trabalho, fazendo a diferença em um cenário em que a maior parte retrocedeu. As duas foram também únicas representantes do estado na lista das 500 melhores cidades do Brasil. Quase todos os municípios fluminenses (95,7%) apresentaram desenvolvimento moderado; outros 2,2%, patamar regular; e nenhum figurou no grau mais baixo.

Semelhante ao observado no cenário nacional, Emprego & Renda foi a vertente com pior resultado. Nas áreas de Saúde e Educação, o cenário fluminense registrou situação melhor, com 52,2% dos municípios (48) classificados como com alto desenvolvimento. Mesmo assim, no panorama geral, das 10 melhores cidades no ranking estadual, seis retrocederam, entre elas o Rio de Janeiro, que em três anos caiu de 5º para 11º lugar na lista das capitais, na comparação com o período pré-crise (2013).

As duas piores colocadas, Belford Roxo e Japeri, ambas na Baixada Fluminense, se mantêm entre as 10 últimas desde o início da série história do IFDM, em 2005. Vale registrar, no entanto, que Japeri melhorou sua pontuação em 14,9%, em relação a 2015. Entre as regiões, a Baixada foi avaliada como a pior, ficando 3,9% abaixo da média do estado. Já o Sul e Centro-Sul Fluminense apresentaram quadro oposto, com média superior em 3,9%.

Segundo Jonathas Goulart, coordenador de Estudos Econômicos da FIRJAN, a avaliação relativa ao estado do Rio é semelhante à do país: a melhoria dos indicadores requer uma recuperação macroeconômica que traga a reboque a retomada do emprego e da renda, que foi a área que mais sofreu com a recessão dos últimos anos. “Políticas macroeconômicas para o equilíbrio fiscal e também gestão eficiente dos recursos públicos são essenciais para que as cidades se recuperem e atinjam nível de desenvolvimento que atenda às necessidades da população”, avalia ele.

Saúde e Educação: muito a melhorar
De fato, embora em patamar mais favorável do que Emprego & Renda, as áreas de Saúde e Educação têm muito a melhorar. Quase a metade das cidades registrou classificação moderada nas duas áreas por ainda não ter atingido nível desejado de atendimento básico à população. Como agravante, em 47 delas houve recuo no IFDM Saúde, principalmente pela elevação da taxa de óbito de menores de 5 anos por causas evitáveis.

No IFDM Educação, chama a atenção apenas 26 dos 92 municípios terem inserido todas as crianças de 4 a 5 anos na pré-escola. De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE), essa meta era para ter sido alcançada por todos em 2016. Outra meta é atingir nota média de 6,0 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) até 2021. Contudo, caso o IDEB médio do estado evolua no mesmo ritmo das últimas quatro avaliações, apenas 16 municípios do Rio terão cumprido a meta na data prevista, e a totalidade só cumprirá em 2065.

“Os dados deixam claro que ainda há um longo caminho a ser trilhado para que todos os municípios do estado alcancem o nível desejado nos três eixos de desenvolvimento. Entretanto, em Saúde e Educação, o diferencial certamente pode ser a melhoria da gestão pública, uma vez que boa parte das verbas direcionadas para as duas áreas levam em conta o número de pessoas atendidas”, ressalta Goulart. Ele recomenda uma política ampla de capacitação e aprimoramento dos gestores públicos, sobretudo nas regiões menos desenvolvidas.
 

 
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