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Casa Firjan debate a revolução na informação

Gabriel Klein, diretor criativo na Vice Media e professor na Perestroika, disse que as indústrias precisam entender seu papel na comunicação

Gabriel Klein, diretor criativo na Vice Media e professor na Perestroika, disse que as indústrias precisam entender seu papel na comunicaçãoFoto: Paula Johas

31/10/18 18:39  -  Atualizado em  31/10/18 19:30

Um novo capítulo na história da comunicação começou com a descentralização da informação. Surgiram os produtores de conteúdo e termos como "fake news", "storytelling" e "branding content". Para entender os impactos dessas mudanças nas marcas, a Casa Firjan realizou, na terça-feira (30/10), a palestra “A revolução na informação: quantidade, qualidade e credibilidade”.

De acordo com Gabriel Klein, diretor criativo na Vice Media e professor na Perestroika, as indústrias precisam entender seu papel na comunicação. “Historicamente, elas estão acostumadas a se comunicar para uma audiência massificada, linear, com muito pouca interferência. Mas hoje vivemos num mundo em que o controle está na mão da audiência, que seleciona, bloqueia e escolhe o que vai ver e, principalmente, gera muito conteúdo. Então, como marca, você deve criar uma narrativa, uma história, que se encaixe contextualmente nessa jornada de consumo de conteúdo, e não é com um banner ou uma propaganda rasa de 30 segundos, mas inserindo-se em conversações culturais”, afirmou.

O consumidor moderno passa a exigir das marcas mais qualidade e credibilidade. O branding content (conteúdo da marca) é uma das estratégias utilizadas nesse novo cenário. “É preciso que ocorra uma mudança de pensamento, para olhar os interesses da audiência e como a marca pode contribuir. O foco é fugir da visão tradicional de pensar no que se quer vender e passar a gerar relevância”, explicou Klein.

Nesse contexto, o storytelling é entendido como a arte de contar histórias que comovam e permaneçam. “É necessário criar conteúdos que sobrevivam à oferta da marca, além de produtos com autenticidade, o que traz transparência e profundidade, criando valor e uma relação mais perene”, completou.

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Carla Lemos, Natasha Ribeiro, Klein e Cristina Tardáguila debateram a revolução na informação. Foto: Paula Johas

 

Bolhas e fake news

É também essencial que as indústrias e a sociedade estejam atentas à questão das fake news (notícias falsas). “O grau de desconhecimento para se combater as notícias falsas é grande fora das bolhas”, falou Cristina Tardáguila, diretora e fundadora da Agência Lupa. Ela explicou o fenômeno da “bolha social”, criado pelos algoritmos da internet, que ajustam os conteúdos de acordo com as preferências e comportamento de quem os consome. Segundo Cristina, uma das saídas para o combate às fake news está na educação e capacitação para a checagem das informações.

Carla Lemos, criadora do Modices, um dos blogs de moda mais influentes do Brasil, aponta outro caminho, chamando a sociedade a contribuir. “Você precisa valorizar o conteúdo de qualidade. Os algoritmos das redes sociais servem para compartilhar conteúdos ruins e acabamos disseminando isso. É preciso quebrar esse ciclo de espalhar notícia ruim”, incentivou.

O case do falso fotógrafo da ONU, Eduardo Martins, desvendado por Natasha Ribeiro, repórter freelancer de televisão, jornal e on-line, com foco em coberturas no Oriente Médio, mostra o perigo da falta de checagem e apuração detalhada. O falso fotógrafo enganou por dois anos jornalistas e seu público no Instagram, se apresentando como integrante da ONU. “O jornalismo errou. O imediatismo e o clique pelo clique fizeram os jornalistas caírem”, falou, deixando em seguida uma reflexão: “Quais são as verdades que você quer comprar, produzir ou consumir? Desconfie sempre”.

 
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